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segunda-feira, 23 de outubro de 2017

A AUTONOMIA SEM CULTURA DE ESCOLA INTERESSA POUCO


Muitas Escolas (provavelmente será mais verdadeiro dizer “muitos diretores”…) clamam pela autonomia escolar. Adoravam poder ser elas a escolher o curriculum, os professores, o peso de cada disciplina no horário dos alunos. Adoravam ser elas (ou eles…) a poder gerir o dinheiro, a ter o poder. À parte disto não têm nenhuma ideia sobre autonomia da sua Escola.

Se lhes perguntássemos o que diferenciava a sua Escola das demais que justificasse essa bendita autonomia, o mais certo era gaguejarem ou então lá nos atirariam com uma caracterização sócio-económica da região, a comparação da média dos resultados obtidos pelos alunos do agrupamento face à média nacional, as suas ideias para convergir resultados, bláblá bláblá… Querem a autonomia porque sim, ou melhor, porque ficam eles a mandar e com mais poder. Bastava que lhes disséssemos que lhes dávamos a autonomia na condição de deixarem o poder que todo o empenho se ia num fósforo.

Voltemos ao principal: a autonomia é boa ou má? Em teoria  e executada por quem sabe é algo de magnífico e que pode ter implicações profundas na vida dos alunos e da comunidade onde eles estão inseridos, no entanto muito poucas escolas estão em condições para a receber e implementar.

A autonomia faz sentido para aquelas escolas/agrupamentos que têm cultura de escola, ou seja, que têm um Projeto Educativo diferenciador, sustentado e que já provou.
Diria que são aquelas escolas que os alunos procuram por causa da oferta formativa de qualidade, onde a Cultura Geral casa na perfeição com a Especialização; onde os professores são referências respeitadas nas áreas que ensinam, onde existem laboratórios e salas de aulas apetrechadas com material necessário à prática daquilo que se ensina. Obviamente isto não quer dizer pufes nem tabletes gigantes apenas com a função lúdica.



Querem um exemplo disto: a Escola Artística Soares dos Reis, no Porto. Toda a organização faz sentido e foi pensada em torno de um objetivo. É uma Escola de Artes que assume o seu Projeto Educativo de forma plena e conduz o seu investimento de maneira a concretizá-lo. É uma Escola com personalidade, com cultura de escola, com uma autonomia lógica. Os alunos sabem para onde vão, conhecem o projeto da escola e procuram-na em função disso.

O nome da Diretora é irrelevante, mas o projeto não. Quando isto for assim com a maioria das escolas que se atropelam à porta do Ministério da Educação em busca de autonomia, então teremos a tal viragem que todos anseiam na Educação em Portugal. Por enquanto vamo-nos consolando com Escolas TEIP e quem lá ensinou sabe perfeitamente para o que elas servem.
GAVB

domingo, 22 de outubro de 2017

O JUIZ PERDEU O JUÍZO


«O adultério da mulher é um gravíssimo atentado à honra e dignidade do homem. Sociedades existem em que a mulher adúltera é alvo de lapidação até à morte. Na Bíblia podemos ler que a mulher adúltera deve ser punida até à morte.»

Já é suficientemente mau que um juiz desculpe (ao manter a pena suspensa) que um homem agrida violentamente a sua mulher, com um moca de pregos, e desvalorize ameaças de morte e o sequestro, mas a argumentação usada pelo juiz do Tribunal da Relação do Porto para indeferir o recurso do Ministério Público, no sentido de agravar a pseudo pena do Tribunal de Felgueiras, é ainda pior.
Para aquele infeliz juiz, a traição resolve-se com pancada até à morte. Se repararmos bem no «douto» argumentário do juiz da Relação do Porto, aquela mulher devia dar-se por satisfeita por apenas ter levado com uma moca de pregos, ser sequestrada e ameaçada de morte, porque o normal seria a pena de morte, de preferência apedrejada.

Citar os nefastos costumes de outras culturas é de péssimo gosto, para ser eufemístico. 
O que subliminarmente nos diz este juiz? Bom seria que vivêssemos numa sociedade igual à da Arábia Saudita onde a dignidade da Mulher é constantemente posta em causa; algo parecido com aquilo que o Estado Islâmico defende.
Citar a Bíblia? Mas a Bíblia é algum código de leis? O nosso Estado de Direito não se caracteriza por não ter nenhuma religião oficial? Desde quando a lei portuguesa é regida pela Bíblia? Estamos no Irão e somos governados pelos Aiatolás?  


A decisão de manter a pena suspensa é polémica, discutível, mas tecnicamente possível, mas argumentação teria de ser outra, ou seja, ir num sentido totalmente contrário aquela que o juiz usou.
A sustentação da decisão do juiz não é apenas lamentável, como também é censurável e devia merecer dos órgãos superiores que superintendem os juízes uma censura pública, porque aquele acórdão envergonha a magistratura portuguesa e não é possível o poder da lei estar na mão de gente que pensa assim.
Se estas declarações fossem proferidas por um governante, sem qualquer poder de decisão sobre casos desta natureza, estaríamos por certo a fazer debates, a escrever profundos artigos de reflexão, a marchar numa qualquer praça portuguesa, exigindo a sua demissão imediata. E com razão o faríamos. Este juiz vai poder continuar a julgar casos de violência doméstica. Já todos perceberam qual deve ser a linha de defesa dos arguidos – foram traídos.

GAVB

sábado, 21 de outubro de 2017

O GOVERNO DE COSTA PERDEU O ENCANTO


Não é que alguma vez o governo minoritário do PS tenha encantado o país, mas a mão protetora do presidente Marcelo e a geringonça parlamentar de esquerda, tornaram o governo de António Costa um projeto de governação interessante.
O governo de Costa estabilizou a banca (ainda que a tenha entregado praticamente aos espanhóis); acabou com a imoralidade do ensino privado pago pelos impostos públicos; cumpriu as metas financeiras decretadas por Bruxelas; devolveu, aos solavancos, alguns dos direitos e proveitos retirados em tempos de troika.
E o povo, tal como Marcelo, foram generosos com o PS de Costa: quase maioria absoluta nas sondagens; vitória contundente nas eleições autárquicas; um PR amigo; uma oposição suicida à direita e contida à esquerda.

Mesmo assim o governo espetou-se por completo durante os últimos meses, por causa dos incêndios. E foi um desastre enorme, que custou a vida a mais de cem pessoas e milhões de euros aos cofres do Estado.
As tragédias que marcaram a negro a época dos incêndios, em Portugal, mostram claramente que o governo não sabe como se faz. Incompetência pura, em áreas essenciais, como a da Proteção Civil.

Não é azar, não é a oposição ou os media, mas apenas decisões erradas, tomadas reiteradamente, em assuntos da maior importância para o país.

Há duas semanas, Costa tinha o país na mão e podia falar grosso para o BE e o PCP, nas negociações do Orçamento de Estado de 2018; hoje, está nas mãos do BE e dos comunistas para não ser corrido de São Bento com um pontapé no rabo. Há quinze dias, a maioria absoluta estava ao virar da esquina; a partir de agora parece quase uma miragem. Há poucos dias, o país sorria com os descongelamentos enganosos das progressões na Função Pública; hoje mostra-se profundamente desencantado com a governação. 
Não é má sorte. A competência não é geringonciável. 

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

MADONNA QUER UM VISTO GOLD PLATINUM



Ainda mal aqui chegou e Madonna já está enturmada com a maneira de viver portuguesa. Ao que parece a diva americana quer viver num palacete português, avaliado em 15 milhões de euros, a custo zero ,durante um ano.
É o chamado xico-espertismo americano que os portugueses topam à légua. Então a menina pensava que todas estas mordomias e atenções acabariam connosco a pagarmos a conta? 
Madonna, todas estas atenções, fotografias e idas ao Ministério da ministra que foi de férias eram no pressuposto que serias TU a gastar uma pipa de massa, em Portugal, e não os portugueses a gastar uma pipa de massa contigo, percebeste?

Uma coisa é a gente dar-te um voucher para ires ver os jogos da Seleção ou do Benfica, outra coisa é pagarmos a conta do hotel. Por falar nisso, já pagaste a renda do mês passado?
Todos nós já estávamos a estranhar esse teu enorme amor a Portugal assim como a tão grande hesitação em comprar casa. 
Agora tudo ficou mais claro: queres uma experiência num palacete, mas a custo zero. Não era mal pensado, não senhor, mas os portugueses não costumam comer gelados com a testa. Os palácios são bonitos (nisso tens razão), mas até nós temos de pagar para os visitar; portanto, se queres lá morar, tens de abrir os cordões à bolsa, que é para isso que andamos a investir no turismo VIP.

Mas não desanimes perante esta contrariedade. Tu investes algum agora, que nos devolvemos tudo em futuro IRS. Já deves ter ouvido falar no programa do nosso governo para atrair turistas seniores, que é como quem diz, idosos, velhos, “com os pés para a cova”. 
Apesar de tudo (que é muito), já fizeste cinquenta e nove anos, ou seja, estás perto da idade da reforma. Se falares com o Trump, ele ainda te dá a reforma antecipada. Aí, o melhor é mesmo vires para Portugal, onde o imposto aplicado às Reformas dos Estrangeiros tende para zero. Com o dinheiro que poupas em imposto, quase que pagas a renda do palacete. Entretanto, tens de investir alguns dólares, porque apesar de tudo ainda nem chegaste aos sessenta e está muito bem conservada.

GAVB

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

É SÓ PARA AVISAR QUE PARA A SEMANA VAMOS AÍ FAZER UMAS BUSCAS


Tínhamos pensado em mandar um email, mas como vocês usam software pirata (afinal não poupam só na compra de bons jogadores), o mais certo era que o nosso aviso ainda parasse num qualquer programa do Porto Canal. Também tivemos a ideia de vos telefonar, mas concluímos que também não era seguro. Nós mesmos pusemos escutas em todo o lado onde andou a comandita do Sócrates e o mais normal é ainda haver um microfone da sala de reuniões da direção, dos tempos em que o Armando Vara fazia parte do Conselho de Administração do nosso clube. Por isso, decidimos inovar e pusemos um anúncio na capa da Sábado (ou aquilo não pertencesse ao mesmo grupo do Correio da Manhã) – “JUIZ TRAVOU BUSCAS A VIEIRA E NA LUZ”.

Foi há três semanas. Demos-vos mais do que tempo para limpar esses computadores infetados de emailite vírica. Passámos horas a matutar na melhor maneira de vos avisar que tínhamos de ir aí fazer umas buscas, levantar uns computadores e alguns papéis. Como vocês são um pouco atados resolvemos gastar um pouco de massa e compramos logo um anúncio na primeira página.
Depois da acusação feita ao Sócrates (a propósito, também o avisámos muitas vezes, através dos jornais, que o estávamos a investigar, sempre na esperança que ele viajasse da França para a Venezuela, mas ele preferiu a cela de Évora à companhia do Maduro e não o podemos censurar) não sabíamos o que fazer à equipa que se especializou a ler contas na Suiça, verificar emails, interpretar escutas e por isso decidimos investigar a vossa azelhice a mandar emails.

A propósito, o vosso bruxo está de baixa ou tirou férias? Deixaram de ser revelados emails de e para a Guiné e a nossa equipa só soma derrotas.
Como vocês não sabem reagir à chacota pública que o A. J. Marques vos expõe todas as semanas, decidimos acabar com este calvário e em breve estaremos aí. Se não souberem fazer uma limpeza dos ficheiros como deve ser, comprem material informático novo, introduzam algumas informações básicas e depois estejam quietos. Daqui por um mês contamos arquivar o caso por manifesta falta de indícios.
Saudações da PJ


P.S. Já deram nome ao vosso grupo organizado de sócios ou continua "No Name" como sempre?

GAVB

terça-feira, 17 de outubro de 2017

DE ONDE VEM A DELICADEZA JAPONESA?


Da educação que os japoneses dão aos filhos.
O comportamento das crianças do Japão é muito diferente daquele que observamos no Ocidente. As crianças japonesas não têm o costume de fazer birras, chantagear os pais ou perder facilmente o controlo. E não são nem autómatos nem crianças tristes, a quem os pais aplicam uma educação autoritária e rígida.
Se repararmos com atenção, elas destacam-se pelo grande respeito que manifestam para com os outros, pela capacidade de autocontrolo e pelos gestos suaves e afáveis, seja com os adultos seja com os colegas.
A moderação e respeito pelo próximo encontram as suas raízes no enorme valor dado à família.

Os japoneses acham fundamento o relacionamento intergeracional. Para a criança japonesa, o velho (e não é preciso que seja o avô ou a avó) merece-lhe a maior consideração. Por sua vez, os idosos olham a criança (e não tem necessariamente que ser o seu neto) como uma pessoa em formação e por isso tratam-na com tolerância, adotando sempre uma atitude pedagógica e não julgadora.
Há um clima harmonioso entre gerações, mas este não se baseia numa troca de favores ao bom estilo ocidental “uma mão lava a outra”, mas numa assunção partilhada de responsabilidades. Por exemplo, os avós estão dispostos a participar na educação dos netos, mas acham inconcebível que os pais não tenham tempo para os filhos e se tornem pais ausentes.

Desde de tenra idade a criança japonesa é educada para a sensibilidade. O afeto entre os membros da família é cultivado. Para que isso seja possível é preciso haver tempo de qualidade.
Tempo é um bem inegociável para as famílias japonesas. Criar laços fortes e duradouros com os filhos é fundamental para todos os pais que sabem quão fundamental é estar com os filhos, especialmente nos primeiros anos de vida.
Habituados ao afeto mútuo em família, as crianças nascidas no Japão sabem que grande parte dos seus problemas se podem resolver com uma boa conversa em família, pois todos sentem que a sua opinião é respeitada e tida em conta.

GAVB

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

UMA CONTAGEM SINISTRA QUE NUNCA MAIS ACABA


Três, seis, dez mortos. Depois vinte, vinte e sete, vinte e nove pessoas que perderam a vida. Trinta e um, mais um e outro ainda. Desligo o computador, mas é impossível aquietar a alma, porque ainda não acabou. Percorro o olhar triste dos muitos com que me cruzo e sinto a derrota silenciosa da gente dorida. Ligo a televisão agora – “trinta e seis mortos confirmados, mas ainda há os desaparecidos e os feridos graves”.
E cada vez que o contador sinistro se mexe é mais um soco brutal no corpo exaurido, ensanguentado, destroçado que é Portugal.

Já não suporto mais ouvir desculpas indignas, nem aproveitamentos políticos, nem explicações transcendentais. É capaz de ser um pouco de tudo, mas isso agora importa-me pouco. Depois de Pedrógão, essa impossibilidade que foi possível, as mortes desta madrugada não podiam ter acontecido… mas aconteceram.
Não preciso de uma proteção civil que me mande desenrascar, de um governo que mande os bombeiros para casa com temperaturas constantemente acima dos 20 graus, só porque o calendário diz que estamos em Outubro. Então, se estiver a chover em Agosto, não abro o guarda-chuva? E se o calor invadir os dias de Dezembro não dou um belo passeio pela praia?  

Importam-me pouco as condolências, os funerais de estado, as belas exéquias, as preocupações de quem tinha apenas de garantir que não tínhamos de nos preocupar. 

Dizem-me agora que não voltará a acontecer. Realmente não: não há mais pinhal de Leiria para arder, não há mais como recuperar as vidas que se perderam, não há mais confiança num Estado que não sabe proteger a vida dos seus cidadãos.
GAVB


domingo, 15 de outubro de 2017

O DIREITO A TER PAI DEVE PRESCREVER?


Para mim, sempre foi claro que o direito à verdade, ao conhecimento total de quem são os nossos pais é absoluto, inegociável e nunca deve prescrever. No entanto, a lei portuguesa diz que o direito de uma pessoa investigar quem são os seus progenitores termina dez anos após essa pessoa atingir a maioridade. (artigo 1817º do Código Civil).


É certo que o referido artigo prevê já a exceção da ação de investigação de paternidade ser interposta três anos após o suposto filho ficar a saber de factos relevantes que fundamentem a investigação. E há também acórdãos de tribunais que põem em causa a constitucionalidade do famigerado artigo 1817º do CC.
Apesar destes «mas» a lei continua a apontar para a prescrição da investigação de paternidade aos 28 anos e mesmo a dita exceção é fácil de contrariar pelo pai relapso. Facilmente ele consegue afirmar que informou o filho mal ele atingiu a maioridade ou que o caso era vox populi ou do conhecimento familiar.

O argumento da prescrição baseia-se na paz familiar e na segurança jurídica que é preciso garantir à família do pai que... nunca quis assumir a paternidade do seu filho. Na minha opinião é um argumento de segunda, que perde claramente para o direito à verdade e à identidade que que a Lei deve assegurar, sem restrições temporais, a qualquer pessoa.
O pai é rico e o pretenso filho é apenas um oportunista que quer caçar parte da fortuna do pai? A Lei não pode nem deve julgar intenções, pois nesse caso devia também julgar o progenitor que possivelmente se aproveitou da fragilidade afetiva, social e económica da mãe para a engravidar. 
Toda a gente tem direito a saber quem são os seus pais e isso deve demorar o menor tempo possível. 
Não é possível que um pai fuja durante anos a um simples teste de ADN e que o tribunal protele e seja complacente com o prevaricador. Quem indemniza emocional, social e financeiramente aquele filho(a) sem pai? Se o pai acha que está a ser vítima de uma chantagem, faz o teste de ADN, prova que não é o pai e a vida segue. O contrário é que é inaceitável.

A verdade não prescreve, o direito a ver reconhecido o pai também não pode prescrever. 
gavb

sábado, 14 de outubro de 2017

VERDADE E CONSEQUÊNCIA


Mais de 100 dias depois, a verdade técnica sobre os trágicos acontecimentos de Pedrógão lá apareceu, num relatório extenso e denso, que descreve circunstanciadamente o que aconteceu, as estruturas que falharam, mas foge dos nomes como Sócrates das transferências bancárias.
Ao contrário do Primeiro-Ministro, Marcelo Rebelo de Sousa voltou a Pedrógão para dar a cara pelo Estado Português, junto daquela gente a quem coube a má sorte de levar com uma estrutura desorganizada da Proteção Civil. O Presidente da República esperou pacientemente o Relatório, mas até ele ficou desconsolado com os resultados e com a cobardia do governo em assumir culpas. “Já Perdemos Todos Tempo De Mais”.

Marcelo personifica perfeitamente o desencanto dos portugueses com a falta de coragem política dos governantes em assumir as culpas nas horas difíceis. Se têm legitimidade para colher as rosas, nas horas dos bons resultados e dos circunstanciais sucessos, como podem eximir-se à responsabilidade dos comandantes, na hora de tão retumbante falhanço?
Depois desta Verdade cinzenta como o fumo denso que acolitou a morte naquele dia fatídico de junho passado, tem de surgir a Consequência. Não porque somos um povo vingativo, não porque isso nos trará qualquer vida de volta, mas porque um Estado de Direito e de Honra assume os seus falhanços. Em política isso chama-se demissão, senhora ministra Constança Urbano de Sousa.

GAVB

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

SENHORA, SEJA BEM APARECIDA

Hoje é feriado no Brasil. É dia de Nossa Senhora Aparecida, rainha e padroeira do Brasil. Oficialmente desde 1980, a santa preferida dos brasileiros é um fenómeno de fé que dura há 300 anos e orienta a vida espiritual, afetiva e a social de milhões e milhões de brasileiros.
A história remonta ao início do século XVIII e dá conta da surpreendente pesca de uma imagem de Nossa Senhora, por uns pescadores ávidos de boa pescaria, que rapidamente deu origem a uma pescaria soberba e abundante.

Ao longo dos séculos, a padroeira dos rios e dos mares, do ouro e do mel, foi ganhando devotos e dando corpo à fé dos brasileiros, que são, como bem sabemos, um povo místico.
Devido à dimensão humana do Brasil e à devoção que o seu povo sempre teve por Nossa Senhora Aparecida, o seu santuário tornou-se num dos santuários marianos mais visitados do mundo a par de Lourdes, Fátima ou Guadalupe; em certo sentido, até os ultrapassa, pois é um fenómeno religioso mais antigo e profundamente enraizado na alma brasileira.

O que faz um cético ou um agnóstico quando observa toda esta devoção? Tem a tentação de racionalizar, de criticar, de contrapor, de expor as suas contradições, mas devia tentar outra abordagem.
Pensar como é importante a fé na vida de milhões de pessoas e como ela se tornou na força motriz das suas vidas. Tentar perceber como, apesar de todas as críticas e evidências racionais, uma devoção, uma crença, uma fé é tão necessária ao ser humano.

GAVB

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

PRESUNÇÃO DE CULPA


Mais de mil dias depois de ter sido detido no aeroporto de Lisboa, debaixo dos holofotes das câmaras de televisão, José Sócrates é formalmente acusado de corrupção. Quase três anos passaram e desde então para cá o caso Sócrates foi ganhando volume, a acusação foi-se transformando (cada vez piorando mais a situação do ex-primeiro-ministro), ziguezagueando, encontrando novos suspeitos e novas conexões, mas sempre com um resultado final pré-estabelecido. Não devia ser assim, mas foi.


Finalmente o país e Sócrates conhecem a acusação e por incrível que pareça ninguém está admirado com os graves crimes de que os arguidos (outrora gente importante e respeitável do país) são acusados, porque toda a gente já os conhecia. Essa publicitação off the record, pelo Ministério Público, foi a maneira que o MP encontrou para ganhar coragem para acusar Sócrates, Salgado, Zeinal Bava ou Henrique Granadeiro.
A acusação pode ser poderosa, inequívoca e facilmente convertível em punição, mas a Justiça não se livra da justa acusação de também ela ter usado métodos sicilianos. 
Independentemente da raiva e do ódio que alguns agentes da Justiça portuguesa sentem em relação aos ex-poderosos do país e da crença que têm na acusação formulada, devíamos ter chegado a este momento mais cedo e devíamos conseguir outorgar aos arguidos a presunção de inocência, mas isso já é impossível.

Eles já estão condenados. Impossível obter outra sentença. O julgamento será apenas um mero pro forma, pois toda população já formou o seu juízo de valor acerca das acusações amplamente antecipados nos jornais.
É verdade que o mais importante é que se faça Justiça, mas nenhuma Justiça se pode afirmar através do princípio de Maquiavel de que os fins justificam os meios. 
Isso era para os políticos, mas a partir deste momento vale também para alguns juízes. 

A provável culpabilidade de Sócrates, Salgado ou Bava talvez cobre, por agora, a mancha, mas no futuro, este sujar de mãos há de ter consequências e nenhuma delas será boa para a Justiça.

GAVB

terça-feira, 10 de outubro de 2017

SANTANA LOPES TEM UMA ATRAÇÃO IRRESISTÍVEL POR DERROTAS CERTAS


Apesar de já ter sido primeiro-ministro (infelizmente para nós e para ele também), presidente da Câmara da Figueira da Foz e de Lisboa, Santana Lopes acha que ainda falta no seu curriculum conquistar, através do voto (e não por uma qualquer cooptação), a presidência do PSD (ou PPD/PSD, como ele gostava de dizer). Falta e há de continuar a faltar, porque Santana continua a perceber mal o seu partido, apesar das lições que este já lhe deu.
Há duas décadas, Santana foi ao Coliseu disputar a sucessão de Cavaco e perdeu clamorosamente para Fernando Nogueira e Durão Barroso, mas achou o máximo ter ganho reality show da política televisiva. Alguns anos mais tarde, resolveu patrocinar a descida de Jesus Cristo à Terra, ajudando à eleição de Marcelo Rebelo de Sousa em Santa Maria da Feira.

Santana Lopes quer ser presidente do PSD; tem esse sonho, mas não prepara a sua candidatura como deve ser. Pensa até conquistá-la como o Che Guevara queria conquistar a América Latina: romanticamente. Claro que não resultou, claro que saiu cilindrado. Desta vez vai acontecer o mesmo.
É verdade que a única altura em que Santana preparou meticulosamente a sua subida ao poder (ao colocar-se como n.º 2 de Durão Barroso e esperar pacientemente que ele cedesse aos apelos da fama e do dinheiro vindos de Bruxelas), o país sofreu imenso, mas Santana conseguiu os seus intentos.

Santana Lopes ainda não percebeu que o seu tempo passou? Que agora apenas lhe resta o sossegado posto de senador do Partido e o honroso cargo de Provedor da Santa Casa da Misericórdia para que continue a ter palco político com alguma dignidade? Santana é o contrário de Rui Rio e o povo português quer alguém ao estilo de Rui Rio, como se vê na popularidade que António Costa granjeou ao longo destes meses de governação.
Os que dizem apoiar Santana nem gostam assim tanto dele e só o apoiam porque detestam ver Rui Rio tomar o PSD sem oposição, sem uma lutinha de fim-de-semana e também porque sabem que Santana vai perder. Caso soubessem que ele tinha reais possibilidades de vitória nem deixava supor o seu apoio.
Ao contrário do que é a intenção de Santana, a sua candidatura vai a votos para valorizar a vitória de Rio. Também ele vai contribuir com algumas flores para o andor que transporta Rio ao confronto com Costa.
Santana Lopes não tinha necessidade de se autoflagelar assim, mas deve ser por isso que a televisão gosta tanto dele.

GAVB

domingo, 8 de outubro de 2017

QUANDO REGRESSAM OS GUARDAS-FLORESTAIS?



Era esta a pergunta que gostava de fazer ao primeiro-ministro de Portugal, António Costa, ou não fosse ele o responsável político pela extinção de uma carreira que tanto fez pela proteção da nossa floresta.
Foi há mais de dez anos e desde então Portugal perde assustadoramente floresta, tem as populações rurais em constante sobressalto, gasta dinheiro em indemnizações e ajudas às populações consecutivamente afetadas com os incêndios e conforma-se com a morte de centenas de pessoas.

Quanto custou ao país este péssima medida administrativa do então (2006) Ministro da Administração Interna, António Costa? Será que não há por aí uma consultora para fazer o cálculo das perdas ou isso não interessa nada?
O guarda-florestal vivia na floresta, conhecia-a, interagia com ela e protegia-a. As matas estavam limpas, os acessos facilitados, além de se fazer um aproveitamento económico muito mais interessante da floresta.

Os tostões que se pouparam nestes últimos dez anos nem devem ter chegado para a água que os bombeiros gastam anualmente para tentar acorrer a todos os fogos. Perdemos o serviço do guarda-florestal, mas convém lembrar que lhe continuámos a pagar, já que os guardas-florestais foram integrados na GNR. Resumidamente, a medida foi uma perfeita estupidez. Pior ainda foi o não emendar da mão. Há um ano, o secretário de estado da administração interna, Jorge Gomes, disse aos jornalistas, a propósito de mais uma onda de incêndios, que estava fora de questão reativar a carreira de guarda-florestal. Argumento: já tinham passados dez anos e não estava para pagar suplementos remuneratórios a tão específica carreira da administração pública, em vias de reativação.

A floresta e os bombeiros agradecem tão lúcida visão governamental. Entretanto vai  pelo país uma fumarada monumental, o ar está irrespirável, há populações em perigo, mas no pasa nada


GAVB

sábado, 7 de outubro de 2017

PROVAS DE AFERIÇÃO: NADA DE STRESS QUE ISTO AINDA ESTÁ A COMEÇAR


Quando esta equipa ministerial começou o seu trabalho introduziu as Provas de Aferição, sem relevância para a nota do aluno, e terminou com os exames do 1.º e 2.º ciclos, a Português e Matemática. 

Esta decisão causou polémica entre os professores, pais e tutti quanti gostam de opinar sobre Educação, apesar de muitos não saberem quais trabalhos de casa do filho ou ainda confundirem o Liceu com a Escola Secundária.  
Como seria de esperar num governo do Partido Socialista vingou a ideia de aferir em vez de examinar. Olhemos então para as virtudes desta opção e o que podemos fazer para a potenciar, pois é a única coisa útil a fazer.


A grande vantagem das provas de aferição, no meu entender, é verificar a qualidade do ensino português, em várias disciplinas e não apenas em Português e Matemática. 
Ora, isto é dignificar todas as disciplinas, valorizando o trabalho de todos por igual. Pela primeira vez em décadas está a medir-se (por muito rudimentar que essa aferição seja) o trabalho em áreas com as Expressão Artística, A Expressão Motora, a História de Portugal, a Geografia, As Ciências Naturais, a Físico-Química, a Música, a Educação Visual. Então isto não é bom? 
Durante décadas não sabíamos nada acerca do que os alunos portugueses conheciam nestas áreas; agora sabemos! 
Os resultados são maus? De facto, não são grande coisa, mas foram os primeiros e devem servir de alerta e ponto de partida para que os professores (todos e não apenas os de Matemática e Português) corrijam aquilo que é possível corrigir.  
As Provas de Aferição aferem o sistema, aferem as práticas letivas, aferem as escolhas das direções das escolas, aferem o apoio que os pais foram dando aos filhos, aferem o conhecimento dos alunos. 
É tão fácil dizer que a culpa é dos professores que ensinam pouco e mal e dos alunos que não aprendem nem estudam! Quando os resultados são jeitosos, já sabemos que os alunos são “os nossos queridos filhos” e a escola é “a instituição que eu dirijo”. Nada de novo, portanto…

Apesar dos resultados serem maus, convém recordar alguns factos atenuantes, que ajudam a enquadrar a leitura dos mesmos. A saber:
 Todos os alunos que fizeram provas de aferição em 2017 ou nunca tinham feito uma prova nacional ou já não faziam uma há quatro anos;
Várias disciplinas tiveram pela primeira vez a sua prova a nível nacional;
Milhares de professores viram a sua disciplina escrutinada, pela primeira vez;
A prova foi feita depois das aulas terminarem, com todos os envolvidos em relaxamento total, pois a prova não contava para a classificação dos alunos.
Aferir o sistema, o método e o conhecimento adquirido é fundamental para o progresso da Educação e do Ensino, em Portugal. 
Precisamos de afinar práticas, mentalidades, consciências e responsabilidades.
Não precisamos de voltar à velha questão “aferir/examinar”, nem de nos recriminar uns aos outros, nem de achar que o trabalho aparecerá feito com discursos ou mais aulas de recuperação.
Ler com consciência os resultados, mudar o que há para mudar e perceber que aferir é uma prática essencial para quem quer aprender.
GAVB

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

SETE COISAS INACREDITAVELMENTE PROIBIDAS ÀS MULHERES SAUDITAS



Daqui por alguns meses, as mulheres sauditas vão poder conduzir os seus próprios automóveis, numa medida que indicia a abertura do ortodoxo regime saudita a alguma igualdade de género, dentro de uma sociedade profundamente desigual e machista.
No entanto, esta brisa é apenas um ventinho sem grande expressão, porque o essencial continua proibido à mulher nascida na Arábia Saudita. Convém lembrar algumas das inacreditáveis proibições/restrições.

Procurar cuidados médicos, por muito necessários e urgentes que sejam, requer a autorização de um familiar ou de um tutor masculino. Em caso de necessidade extrema, as mulheres sauditas têm literalmente a vida nas mãos do homem.  

Se na saúde a situação é bizarra, no direito não é melhor. Perante a lei, o seu testemunho vale menos do que o de um homem; e numa herança só recebem metade do valor atribuído a um irmão. Em caso de divórcio, as mulheres só têm a custódia dos filhos até aos nove anos (raparigas) ou sete (rapazes).
A desigualdade face aos homens não se vê apenas nas grandes coisas com também nas mais pequenas. Por exemplo, as mulheres não têm autorização para ter um conta bancária e geri-la a seu belo prazer, ainda que tenham obtido autorização para trabalhar (sim, também precisam) e ganhem o seu próprio dinheiro.
Viajar para onde lhes apetece (mesmo dentro da própria Arábia Saudita) está fora de questão para o elemento feminino. Passaportes e outros documentos essenciais a quem viaja só podem ser obtidos com autorização do marido, tutor ou outro elemento feminino que exerça alguma forma de poder sobre elas.

Sobejamente conhecida é a limitação quanto ao vestuário. O Abayas (casaco longo que cobre todo o corpo da mulher) é obrigatório em todo o espaço público e por isso fica vedado à mulher saudita um modo de expressão tão feminino como é o vestuário.
Perante todas estas aberrantes proibições não espanta que casar com quem quiser também lhes seja vedado. Quem dá permissão para a jovem saudita casar é o wali ou tutor legal. Caso queiram casar com um estrangeiro, a autorização tem de vir diretamente do Ministério do Interior, até porque casar com um não-muçulmanos é uma missão impossível.

Vista desta perspectiva, é óbvio que a autorização para conduzir um carro dada pelo Rei Salman ainda é uma coisinha tão pequenina como insignificante, num deserto de tantas proibições.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

GOOGLE PIXEL BUDS – O TEU NOVO PARCEIRO DE VIAGEM


Quem já não se viu totalmente perdido, num país estrangeiro, e sem ninguém que o compreendesse? Muitos de nós, algumas vezes. Ainda que o inglês se tenha tornado numa língua falada e compreendida por muitos povos, ainda há casos de cidades mundialmente conhecidas, onde a esmagadora maioria da população não sabe o básico de nenhuma outra língua a não ser a sua. E a linguagem gestual, por muito expressiva e rica que seja, não resolve tudo.



Pensando nisso e no negócio, a Google lançou uns auriculares que farão a delícia de qualquer viajante. A sensação de conforto e confiança será muito maior. Os Google Pixel Buds são uns auriculares capaz de traduzir em tempo real 40 idiomas diferentes. Usando a tecnologia da inteligência artificial, o áudio é convertido em texto, traduzido para outra língua e depois novamente convertido em áudio.  Na prática, bastará falarmos que estes Google Pixel Buds encarregar-se-ão do resto.
O novo produto da Google foi ontem apresentado em São Francisco, EUA, e estará disponível, para venda, em Novembro, por menos de 140 euros. Se tudo correr normalmente será um dos produtos mais vendidos por altura do Natal.
O viajante solitário encontro nos Google Pixel Buds o parceiro que lhe faltava para as suas viagens. Não sei se os guias turísticos sentirão a concorrência, mas sei que a Google encontro mais um gadget que nos facilitará a vida no futuro. Uma vida cada vez mais global. Resta saber se não se tornará excessivamente solitária.

GAVB

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

A CATALUNHA É O FILHO DE 18 ANOS QUE QUER SAIR DE CASA



A frase é do controverso Gerard Piqué, jogador do F.C. Barcelona, um assumido independentista, que nos últimos dias tem sido fortemente insultado, contestado e instado a abandonar a seleção espanhola, dado o assumido independentismo catalão que nos últimos dias voltou a professar com convicção.


Podemos acusar Piqué de tudo (provocador, divisionista, arrogante…) mas nunca o poderemos acusar de hipocrisia. Nunca gostei muito de Piqué, sobretudo pela maneira acintosa como provocava Madrid, desprezando quanto isso feria toda a Espanha, mas nos últimos dias tenho de reconhecer que o vejo com outros olhos. Sobretudo, pela coragem e lucidez com que abordou o caso do referendo, partindo do seu emblemático caso pessoal. 

Voltou à frase de Piqué e completo-a: “A Catalunha é o filho de 18 anos que quer sair de casa. O governo de Espanha tem que se sentar e falar com o filho, ou ele vai embora.” 

Piqué tem razão! O governo espanhol tem mesmo que se sentar com o seu filho rebelde. Ele já é maior de idade. Não o pode tratar como um miúdo, porque pior do que perder a sua presença é perder o seu coração e a sua alma. E essa ainda é resgatável. É o próprio Piqué que implicitamente o admite. 


Se Rajoy e  Filipe VI se limitaram a ser filhos de Franco, então a maioria silenciosa cairá para o lado dos independentistas. Ainda há tempo e algum espaço de manobra, mas não é possível empurrar, com a barriga, o problema nem pensar que isto passará. 90% dos que votaram querem a independência. Não me digam que todos estes são uns inconscientes e não sabem o que fazem, que não é verdade. 
A janela de oportunidade do governo e do Rei de Espanha são os 57% que se abstiveram. São elas que podem dizer que o referendo não é vinculativo e são eles os parceiros de Espanha na Catalunha que Filipe VI tem de convocar e convencer, mostrando que permanecer é mais vantajoso que partir. 

Piqué disse que a Catalunha é um filho de Espanha. É por aí que Filipe e Letícia têm de começar a sua luta de defesa da unidade de Espanha.

GAVB

terça-feira, 3 de outubro de 2017

LEVAR O MUSEU PARA O SHOPPING


O Centro Comercial representa a modernidade, a beleza atual e a novidade enquanto Museu nos traz a Arte que se tornou imortal. Parecem mundos opostos, feitos para públicos distintos e ritmos de vida quase inconciliáveis.
O desafio é juntá-los. Respondendo a este desafio, o Centro Comercial Amoreiras (Lisboa) e o Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) decidiram expor em vários espaços do Amoreiras  31 réplicas de quadros importantes do acervo do MNAA.
Quem for ao Amoreiras entre 4 de Outubro e 5 de Novembro encontrará cópias de quadros de Düer ( o mais reconhecido pintor do renascimento nórdico), de Pieter Bruegel, o Jovem; ou do alemão Hans Menling. Deve ser reconfortante saber que entre uma compra e um café com um amigo podemos repousar os olhos num “São Jerónimo” ou “A Virgem e o Menino”.

É certo que são réplicas e nenhum verdadeiro apreciador de arte dispensa a minuciosa observação dos originais, mas esta iniciativa dirige-se aos “outros”, ou seja, aqueles que raramente vão a um museu e que o acham o perfeito ícone do passado e algo sem graça. Felizmente, a administração do Amoreiras acha os quadros do MNAA algo muito fashionable.
Considero muito interessante esta iniciativa conjunta MNAA/C.C. Amoreiras, desde que ela só tenha um interesse cultural. É importante que o Amoreiras saiba reconhecer o estatuto social da Arte e trate com classe estas réplicas de quadros famosos do MNAA.
A Arte e os Museus têm tudo a ganhar quando se abrem ao exterior. Mostrar as suas joias (ainda que falsas) é a melhor maneira de atrair o bandido ao seu território. O Centro Comercial pode ser a sedução perfeita para uma visita guiada aos originais guardados no Museu – uma espécie de descoberta maravilhosa de um mundo onde o benefício é de quem olha com tempo e prazer.

GAVB

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O QUE HÁ PARA REFLETIR, PASSOS COELHO?


Passo Coelho deve adorar calvários, vias-sacras, autoflagelações. Só assim se justifica que não atue com a sagacidade e a rapidez que se exige a um político, aproveitando o momento mediático, de que o político tanto vive.
 Passos Coelho ainda não percebeu que todo o PSD espera a sua demissão? Passos Coelho não notou que a ausência de contundência do PS, do BE e do PCP para com os seus resultados equivale a uma certa dose do pena do líder social-democrata?
Passos esperou que o diabo lhe devolvesse o céu, mas o diabo não chegou e ele é que foi para o inferno. Paulo Portas seguiu o seu caminho, ao percebeu que o seu tempo tinha passado; Assunção tratou de se afirmar candidatando-se a Lisboa e não recuando quando Passos resolveu não subscrever uma candidatura conjunta, para lançar Teresa Leal Coelho.

Enquanto Passos andava amuado e ressabiado por não governar, apesar de ter ganho as eleições, os candidatos autárquicos do PSD ficavam abandonados e notava-se que tinham sido quarta ou quinta escolha. 
Passos foi para estas eleições autárquicas sem estratégia, sem força, sem unir o Partido. As principais figuras do PSD não se disponibilizaram para ser candidatar nem para aparecer durante a campanha eleitoral. 
De dentro, o silêncio é de quem espera pacientemente que o líder tenha a dignidade de sair pelo próprio pé; por fora, os adversários políticos externos já lhe desejam longa vida.
Será que Passos não percebe que deixou o PSD fora do Governo, fora das autarquias mais importantes do país e apenas como um partido médio no panorama político nacional? Que tem mais que refletir Passos Coelho? Quer ser árbitro da próxima contenda interna? Quer marcar o ritmo e a estratégia do PSD nos próximos anos? Quer condicionar o futuro líder? Que tontice!
António José Seguro tinha ganho as eleições de 2013 e, porque a sua vitória foi uma vitoriazinha, António Costa tratou de correr com ele. Hoje quem se lembra do Tozé Seguro?

GAVB