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terça-feira, 31 de março de 2015

TANGO PASIÓN - A ARTE DE SEDUZIR ATRAVÉS DA DANÇA


Um espetáculo de tango como aquele que a companhia TANGO PASIÓN proporciona é algo de único que não convém perder. Foi o que fiz no sábado à noite, no Coliseu do Porto.
A sala estava, obviamente, cheia e o espetáculo foi tudo aquilo que esperava dele: soberbo, intenso, apaixonante. Durante duas horas, um grupo de doze bailarinos, superiormente coreografados por Osvaldo Ciliento, e doze músicas, dirigidos por Gabriel Merlino, trouxeram ao público portuense o que de melhor Astor Piazzolla criou para essa dança arrebatadora que é o Tango.
 Os bailarinos interpretaram dezenas de coreografias onde as temáticas da sedução, da conquista, do arrebatamento amoroso, do arrufo entre apaixonados, estiveram presentes. A interação entre os pares era permanente e prendia a assistência à dança, à música, às histórias recriadas.
Contrariamente ao que aconteceu há dois anos, o espetáculo desta digressão apresentava um sensualidade mais soft e um guarda-roupa mais sóbrio. No entanto, o grupo mantinha toda a espetacularidade daqueles passos de dança que nos deixam boquiabertos face à agilidade e rapidez de execução.

É uma delícia para os sentidos perceber a sincronia do par de bailarinos e dos vários pares entre si. A maneira como os corpos comunicam através da dança é única e provoca o desejo de fazer algo parecido.
Depois do intervalo, os bailarinos subiram a intensidade e espetacularidade dos seus números, retirando da nossa boca vários “oh” e “ah” de espanto e satisfação com aquilo que era produzido em palco. Aumentou também a sensualidade da dança, capaz de levar a o desejo ao limite, provocando todos os nossos sentidos e emoções.
O público sublinhou cada dança com calorosas palmas e presentou a companhia com um longuíssimo agradecimento final, o que comoveu os bailarinos e o sexteto.
O único senão deste espetáculo é que tenha passado por Portugal como um cometa. Quatro espetáculos, em três cidades, é muito pouco para os apreciadores de Tango no nosso país. Há dois anos estiveram entre nós quatro semanas e as salas estiveram sempre lotadas.
O Tango é uma dança-paixão que merece ser apreciada por mais gente e durante mais tempo.
Gabriel Vilas Boas

segunda-feira, 30 de março de 2015

AO SOM DE... JOAN BAEZ


Joan Baez está de novo em Portugal. Cinco anos depois da sua última visita, a rainha do folk norte-americano regressa aos palcos portugueses para rever amigos de sempre e mostrar aso mais novos músicas que fizeram a grande caminhada pelos direitos humanos nos loucos anos 60/70 do século XX, quando Baez, no auge da sua carreira, emprestou a sua voz e as suas canções às causas de Martin Luther King, Nelson Mandela ou César Chaves.
Joan Baez tem mais de cinquenta anos de carreira, onde interpretou mais de trezentas canções, espalhadas por cerca de três dezenas de álbuns. Em todas as suas composições, nota-se a tranquilidade duma pacifista, duma lutadora que fez da música instrumento para alcançar a felicidade.

Ao ouvir Joan Baez, é impossível não ser invadido por um sentimento de paz e otimismo num mundo mais justo.
Amanhã no Porto e no dia seguinte em Lisboa, o público português vai poder ouvir de novo uma mulher determinada, feliz com o caminho percorrido e capaz de nos pôr in the road to the happiness.
A senhora Baez ainda tem uma voz encantadora. Aos 74 anos, talvez já não consiga chegar às notas mais altas, mas permanece aquele brilho no olhar que em 1965 entoou “We shall overcome” de que não resisto a citar um pouco da letra:




We shall overcome,
We shall overcome,
We shall overcome, some day.

Oh, deep in my heart,
I do believe
We shall overcome, some day.

We'll walk hand in hand,
We'll walk hand in hand,
We'll walk hand in hand, some day.

Oh, deep in my heart,

We shall live in peace,
We shall live in peace,
                                                We shall live in peace, some day.

Oh, deep in my heart,

We shall all be free,
We shall all be free,
We shall all be free, some day.

Oh, deep in my heart,

We are not afraid,
We are not afraid,
We are not afraid, TODAY

Baez cantou, interpretou, lutou com a sua guitarra e a sua voz, por alguns dos direitos que hoje usufruímos. Talvez amanhã e quarta-feira sejam das últimas oportunidades que teremos para a ver ao vivo, para lhe dizermos muito obrigado, por uma vida inteira de belas canções e uma luta sem tréguas pelos direitos humanos.

Já há poucos artistas como Baez. Hoje canta-se pela fama, pelo dinheiro, pela reputação ou então para afirmar um talento ímpar. Baez pertence a uma casta rara de artistas que cantou por causas universais.
Gabriel Vilas Boas

domingo, 29 de março de 2015

DE FIDEL A RATZINGER - SABER SAIR DE CENA




Ontem, as páginas que alguns jornais dedicam às efemérides assinalavam que tinham passado três anos sobre o encontro histórico entre Fidel Castro e o Papa Bento XVI. Reparei nas personagens, não no significado e relevância do encontro.
Fidel e Bento XVI perceberam tarde (no caso de Fidel, muito tarde) que o seu tempo na História tinha terminado. Numa espécie de arrependimento de última hora, retiraram-se. Decidiram verificar com os próprios olhos a irrelevância em que se tinham tornado. Pessoalmente, deve ter sido uma experiência dolorosa, mas ainda bem que o fizeram. Foi, talvez, o último grande gesto de amor às suas gentes. Entre a vaidade cega e a dignidade, optaram pela segunda.

Fidel percebeu que o seu tempo tinha passado. Foi preciso a ruína do corpo lho dizer, desgraçadamente. O povo cubano respeitou-o e respeita-o muitíssimo. Só assim se percebe que esperem pacientemente a sua morte definitiva para cederem ao canto da sereia americana. Ou então são moralmente tão superiores que preferem a sujidade da pobreza à da coca-cola. Cederão, naturalmente, porque é humano desejar uma vida com bem-estar e conforto, o reencontro familiar, um emprego justamente remunerado. Agora é mais fácil o Castro moderado apertar a mão ao inimigo americano porque Obama é simbolicamente (infelizmente apenas isso) “um dos deles.”

Com Bento XVI, falamos, obviamente, de uma santidade mais santa. O Papa alemão compreendeu que o sonho de uma vida concretizara-se tarde e por causa disso já não era capaz de o concretizar como sonhara.
Saber sair de cena é uma virtude e uma grandeza só ao alcance dos verdadeiramente grandes. Quem escreve a História dos homens com a própria vida deve entender que o Homem continua finito e a História permanece eterna. A repetição não é História! Quando a repetição se torna insuportavelmente repetente apaga a beleza do dia em que foi original e grandiosa.

Há uns anos, Gabriel Garcia Marquez escreveu “Um General No Seu Labirinto”, aludindo a um ditador sul-americano que se perpetuava no poder até à fossilização de tal modo que nem ele nem o povo sabiam já como e porquê ascendera ao poder. Não sei se foi buscar inspiração a Fidel, mas não era descabido que o tivesse feito.
Ratzinger e Fidel deviam inspirar alguns políticos, empresários, líderes sindicais, bancários… que nos aborrecem a vida. Talvez não fosse má ideia pensarem que não lhes resta muito tempo de vida, porque o seu lugar na História há muito que foi à vida!
Gabriel Vilas Boas


sábado, 28 de março de 2015

FESTIVAL DE CINEMA ITALIANO PERCORRE O PAÍS





Começou há dois dias em Lisboa uma mostra de cinema italiano que traz à capital portuguesa algumas das melhores películas de sempre do cinema feito naquele país do sul da europa. Até 2 de abril, o cinema São Jorge e a cinemateca portuguesa receberão dezenas de filmes, para vários públicos e gostos.
Há vários pontos de interesse, nesta oitava edição da festa do cinema italiano em Portugal. A maior de todas é sem dúvida a exibição integral da célebre série “Gomorra”, de Stefano Sollima, Francesca Comencini e Claudio Cupellini.

Haverá também homenagem ao mestre Fellini e a Ettore Scola, com a exibição da sua última obra – “Que estranho chamar-se Federico”.
Por falar em estreias, podemos ver pela primeira vez “O rapaz invisível” de Gabriele Salvatore e “Inquietos” de Saverio Contanzo.
Para mim, o grande ponto de interesse desta overdose de cinema italiano está na possibilidade de revisitar grandes realizadores e importantes filmes, projetados novamente na grande tela do cinema. Será emocionante rever no grande ecrã uma das obras-primas do cinema de todos os tempos: “Cinema Paraíso” de Giuseppe Tornatore, agora apresentado em versão digital. Interessante também voltar a ver “Era uma vez na América” e “O Bom, O Mau e o Vilão” de consagrado Sergio Leone.

Para quem está farto de clássicos e prefere novidades, pode encontrar na denominada secção competitiva filmes como “Le Cose Belle”, de Agostinho Ferrente ; “Almas Negras” de Francesco Munzi ; “Incompresa” de Argento; “In Grazia di Dio” de Eduardo Winspeare ou “Idade à Flor da Pele” de Duccio Chiarini. 
Ver ou rever cinema italiano é mais do que redescobrir uma língua belíssima; é voltar à infância. 
É certo que o cinema italiano nunca venderá tão maravilhosamente como os seus monumentos ou a bela paisagem da Toscânia, mas nele encontramos o sorriso maroto das raparigas do sul da europa, os códigos de honra da cosa nostra, as paixões lentas, com o mediterrâneo ou o adriático em fundo. 
Há muito que o cinema italiano deixou o circuito comercial. Podemos vê-lo em festivais como o de Veneza, Cannes ou Berlim ou em eventos como este.
Cada filme dar-nos-á um pouco da alma dum povo tão rico, tão diverso e tão europeu.
Felizmente os organizadores desta mostra tiveram a excelente ideia de pôr o evento a percorrer o país até meados de maio. A magia do cinema andará pelo Porto, Coimbra, Caldas da Rainha, Loulé e Évora, espalhando a arte, a beleza e o glamour de um dos cinemas europeus com mais classe.

Gabriel Vilas Boas  


sexta-feira, 27 de março de 2015

DIA MUNDIAL DO TEATRO




Certo dia, Shakespeare escreveu que “a vida é uma peça de teatro que não permite ensaios, por isso, cante, dance, ria, antes que a cortina desça e a peça termine sem aplausos”.
Não precisamos de fazer das nossas vidas uma peça de teatro, mas a vida de cada um ficará muito mais rica se deixarmos que o teatro faça regularmente parte dela. Como já escrevi noutras ocasiões, o teatro é um espetáculo único, total, apaixonante. É um privilégio fazer parte desse mundo; para o espectador é um deleite.
No Dia Mundial do Teatro, desejo apenas transmitir-vos um pouco da minha paixão por esta arte maravilhosa. Podemos vivê-la sob várias perspetivas que de todos os ângulos sairemos satisfeitos e bem mais ricos.

A mais arrebatadora forma de sentir o irresistível poder da arte de Molière é representar, embora também seja a mais exigente. A mais fácil é sentarmo-nos na plateia e assistir a uma peça de teatro.
Devíamos ter o saudável hábito de ver, no mínimo, uma peça de teatro por mês. É um vício bom que enriquece a alma, o espírito e o corpo, que redescobre no teatro gestos esquecidos nas brumas da memória.
Como todas as coisas extraordinárias, o teatro não é uma arte fácil. Nela apenas triunfa quem tem talento, persistência e personalidade. Uma professora de teatro que tive costumava dizer, frequentemente, que “no teatro não podemos ter medo do ridículo”.
Saber deixar a pessoa que somos e mergulhar na personagem que nos coube é o primeiro grande desafio que o teatro coloca ao candidato a ator. Quem vence este primeiro obstáculo, em cima do palco, frente a um público que conhece do contacto social, está apto para que o encenador trabalhe o seu talento, sob os auspícios das grandes obras dos dramaturgos. Entre estes, prefiro Sófocles, Shakespeare e Molière.

Um ator de teatro não pode aspirar à glória social nem a uma conta bancária de relevo. Trabalhará sempre por paixão, sem contar as horas noturnas consumidas em ensaios nem reparar no magro salário ou no pouquíssimo público presente na plateia. Mas nada há a lamentar: as paixões são loucas, insensatas, arriscadas… maravilhosas!
O teatro também é exigente com o espectador. Em primeiro lugar, obriga-nos a vencer o sedentarismo que nos envenena o espírito. Depois necessitamos de gastar dinheiro no bilhete, nas viagens, no estacionamento. Por último, requer algum conhecimento sobre a peça a que vamos assistir. Para aqueles que estão habituados às coisas fáceis e sem sabor desta vida, estas são razões mais do que suficientes para desistir. Para aqueles que gostam de desafios, o teatro é uma sedução permanente.
O meu conselho é que deixe que o teatro enriqueça a sua vida. Vença a inércia, entre num teatro e assista a uma peça. E regresse na primeira oportunidade. São raros os casos de intolerância a este medicamento cultural. Hoje é um ótimo dia para começar. Há Teatro um pouco por todo o lado: no Porto, no Teatro Nacional São João temos a peça “Fim das Possibilidades”; em Lisboa, no Teatro Nacional D. Maria II, pode-se ver “Pirandello”. Em ambos os casos a entrada é livre. A minha sugestão para quem está próximo de Vila Real é a imortal peça de Molière “O Avarento”, levada à cena, no teatro local, pela companhia Ensemble – Sociedade de Actores, onde pontificam Jorge Pinto e Emília Silvestre.
Shakespeare tinha absoluta razão: a vida é uma peça que não admite ensaios, por isso deixe de ensaiar mais desculpas e vá ao Teatro!

Gabriel Vilas Boas   

quinta-feira, 26 de março de 2015

MUSEUS REAIS DAS BELAS-ARTES DA BÉLGICA


A singularidade dos Museus Reais de Belas-Artes da Bélgica é, sem dúvida, um dos aspetos mais importantes a destacar na altura de avaliar as coleções artísticas que se conservam neles.
Além disso, os dois principais edifícios encontram-se num pequeno monte, Mont des Arts, a partir do qual se pode ver uma bonita vista panorâmica da cidade de Bruxelas.
Os museus reais da Bélgica reúnem quatro museus diferentes com grandes coleções de pintura, escultura e desenho da arte belga.
Entre os quatro museus destacam-se dois de carácter geral: o Museu de Arte Antiga e o Museu de Arte Moderna; e dois de carácter monográfico: o Museu de Antoine Wiertz e o Museu de Constantin Meunier.

O Museu de Arte Moderna encontra-se situado no Palácio Balat e é muito conhecido e conceituado pela sua coleção de pintura flamenga que cobre desde o século XIV até ao século XVIII. Há que ter em conta que é o único museu do mundo que permite realizar um percurso cronológico completo, desde a etapa renascentista, na qual se incluem os chamados “Primitivos Flamengos”, até à época Barroca, representada por artistas tão significativos como Rubens.
Quanto ao Museu de Arte Moderna, há que assinalar que se encontra junto ao anterior e que entre ambos se estabelece um forte contraste visual, pois este último é de construção moderna.  O novo edifício, inaugurado em 1984, foi projetado pelo arquiteto Roger Bastin, que soube conciliar modernidade e tradição no trabalho desenvolvido. Este museu inclui obras de artistas do século XIX e XX. Nele podemos admirar obras de grandes pintores belgas como Ensor, Magritte, Delvaux.

Os Museus Reais de Belas-Artes da Bélgica integram ao mesmo tempo dois museus de carácter monográfico que se encontram em diferentes lugares. Um deles é o museu Antoine Wiertz, que se encontra situado no bairro Leopold, num lugar onde o artista anteriormente tivera a sua oficina. Wiertz foi um importante escultor e pintor belga do período do Romantismo, cuja obra apresenta aspetos peculiares.  
O outro museu é o museu de Constantin Meunier, pintor e escultor realista, que construiu uma casa-oficina em Ixelles, posteriormente comprada pelo estado belga com todo o espólio do artista. A partir de 1978, estas obras passaram a fazer parte dos Museus Reais de Belas-Artes da Bélgica.

As coleções de arte que integram os Museus Reais de Belas-Artes da Bélgica encontram-se diretamente relacionadas com a história do seu país. Deve considerar-se que  Bélgica é um país jovem, pois a data da sua fundação é de 1830, altura em que se uniram diversos territórios dando origem ao que hoje denominamos como Bélgica. Durante o reinado de Leopoldo I, começou a formar-se uma coleção estatal de pintura moderna, contudo a fundação dos museus reais belgas só acontece em 1927.
Quanto às obras-primas que podemos ver nestes museus, falarei delas noutro dia, organizando-as em três períodos: séculos XV e XVI, onde se destacam a “Pietá” de Rogier Van der Weuden e várias obras de Pieter Brueghel, o Velho; os séculos XVII e XVIII,  onde pontificam quadros de Rubens, Van Dyck e Rembrandt, entre outros e os séculos XIX e XX, com quadros de Bacon, Magritte, Chirico, Gauguin e Van Gogh.
E de facto, passar em Bruxelas e não visitar o Musée Royaux des Beau-Arts de Belgique é como ir a Roma e não ver o Papa.

Gabriel Vilas Boas

quarta-feira, 25 de março de 2015

A LUTA PELO DIREITO DE VOTO


A História não é só feita de guerras, cataclismos naturais, decisões históricas, acasos célebres que mudam o rumo da vida coletiva de milhões de pessoas. Os discursos, a arte de convencer através da palavra, sempre tiveram um lugar de destaque na galeria dos momentos decisivos que mudaram o curso à História. Há precisamente cinquenta anos, Martin Luther King produziu um desses momentos, no Alabama, EUA.
O discurso de Martin Luther King, Jr, dirigido aos manifestantes em prol dos direitos cívicos foi escutado por milhares de pessoas que haviam marchado desde Selma, Alabama, para a capital do Estado, Montgomery, exigindo que os afro-americanos pudessem exercer o seu direito legal de voto.

Os protestos duravam havia três semanas, mas tinham esbarrado na obstrução das autoridades do Alabama. Na primeira marcha, a 7 de março de 1965, os manifestantes foram atacados pela polícia estadual com bastões e gás lacrimogénio. Uma segunda marcha, uns dias depois, foi impedida por ordem do tribunal, mas passada uma semana, o direito a marchar foi confirmado por um juiz federal e entre 21 e 25 de março, os manifestantes conseguiram organizar a sua marcha. Cinco meses mais tarde, o presidente Lyndon B. Johnson promulgou a Lei do Direito de Voto para garantir o registo nacional de eleitores independentemente da cor de pele.
Mas o melhor, talvez seja recordar parte desse famoso discurso de Martin Luther King.


“No domingo passado, mais de oito mil de nós iniciaram uma marcha pujante, em Selma, Alabama. Atravessamos vales desolados e transpusemos montes penosos. (…)
Sei que perguntam hoje: «Quanto tempo irá demorar?» 

Alguém pergunta: «Durante quanto tempo é que o preconceito cegará os homens, turvará o seu discernimento e afastará a sabedoria inteligente do seu trono sagrado?» Alguém pergunta: «Como é que a justiça ferida que jaz prostrada nas ruas de Selma e Birmingham e nas comunidades do sul, sairá desta vergonha humilhante e reinará, suprema, entre os filhos dos homens?» Alguém pergunta: «Quando é a que a irradiante estrela da esperança mergulhará no seio noturno desta noite solitária, arrancada das almas exaustas com correntes de medo e algemas de morte? Durante quanto tempo será a justiça crucificada, com a verdade a suportá-la?»

Venho dizer-vos, esta tarde, que, por muito difícil que seja o momento, por muito frustrante que seja a hora, ela não se fará esperar porque a «verdade esmagada no chão renascerá.» Durante quanto tempo? Não muito, porque «nenhuma mentira pode durar sempre». Durante quanto tempo? Não muito, porque «colheis o que semeais». Durante quanto tempo? Não muito, porque o arco do universo moral é longo, mas inclina-se para a justiça.”  
Martin Luther King, 25-03-1965

terça-feira, 24 de março de 2015

HERBERTO HELDER


É um dia triste sempre que um poeta parte para sempre. Com ele leva a arte de dizer aquilo que sentimos, a chave que nos abria, o mapa da nossa ilha da felicidade.
Herberto Hélder escreveu poesia toda a vida. Versos longos, muitas vezes sem rima nem ritmo entendíveis a olho nu, mas quase sempre inquietantes.
Os seus poemas olhavam a vida, as emoções, os pensamentos como um desafio. Havia que explorá-los, interrogá-los, experimentá-los com os olhos das palavras, das construções poéticas, do ritmo. E Herberto Hélder teve a paciência e a sabedoria necessárias para construir poemas onde a beleza encontrava frequentemente a inteligência e as duas ficavam longas palavras a conversas na folha de papel.

Como escrevi há três dias, faz um bem extraordinário à alma ler um pouco de poesia todos dia. O pretexto não é o melhor, mas a poesia é superlativa.
Fica bem, fiquem com Herberto Helder.



Não sei como dizer-te que a minha voz te procura

e a atenção começa a florir, quando sucede a noite

esplêndida e casta.

Não sei o que dizer, especialmente quando os teus pulsos

se enchem de um brilho precioso

e tu estremeces como um pensamento chegado.

Quando iniciado o campo,

o centeio imaturo ondula tocado pelo pressentir de um tempo distante,

e na terra crescida os homens entoam a vindima,

– eu não sei como dizer-te que cem ideias,

dentro de mim, te procuram.



Quando as folhas da melancolia

arrefecem com astros ao lado do espaço

o coração é uma semente inventada

em seu ascético escuro e em seu turbilhão de um dia,

tu arrebatas os caminhos da minha solidão

como se toda a minha casa ardesse pousada na noite. 




– E então não sei o que dizer

junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio.

Quando as crianças acordam nas luas espantadas

que às vezes caem no meio do tempo, –

não sei como dizer-te que a pureza,

dentro de mim, te procura.




Durante a primavera inteira

aprendo os trevos, a água sobrenatural,

o leve e abstracto correr do espaço

– e penso que vou dizer algo cheio de razão,

mas quando a sombra vai cair da curva sôfrega dos meus lábios,

sinto que me falta um girassol, uma pedra, uma ave –

qualquer coisa extraordinária.

Porque não sei como dizer-te sem milagres

que dentro de mim é o sol, o fruto, a criança,

a água, o deus, o leite, a mãe, o amor,



que te procuram.

Herberto Hélder

segunda-feira, 23 de março de 2015

AO SOM DOS... MADREDEUS


Durante os anos 90, os Madredeus dominaram o panorama musical português, produzindo uma música inovadora e surpreendente, capaz de unir gerações de fãs.
O grupo fundado por Pedro Ayres Magalhães e Rodrigo Leão demorou dois anos a encontrar a voz perfeita para um projeto superior, mas a busca foi recompensada e Teresa Salgueiro entrou para o grupo que ainda não tinha nome, mas já contava com Fernando Ribeiro e Gabriel Gomes.
Do primeiro álbum haveria de sair o nome do grupo e do segundo, “Existir”, o primeiro grande êxito da banda: Pastor.
Mas o que tinha este grupo de tão especial e que o distinguia dos restantes? Em primeiro lugar, grandes músicos como era o caso de Pedro Ayres Magalhães e Rodrigo Leão; em segundo lugar, uma vocalista com uma voz única e extraordinária; e em terceiro lugar uma conceção musical inovadora em Portugal, pois juntava à música popular contemporânea influências da música tradicional portuguesa e influências da música erudita.

Os portugueses reviam-se nas músicas do grupo, pois a guitarra de Pedro Ayres  Magalhães trazia uma espécie de código genético lusitano enquanto a voz de Teresa Salgueiro acrescentava o glamour da música clássica, que dava à música produzida pelo grupo um toque de classe que muito agradava aos seus fãs.
A fama do grupo foi crescendo tanto em Portugal como no estrangeiro, especialmente na Europa, onde o grupo deu variadíssimos concertos, sempre muito elogiados pela crítica e pelo público estrangeiro. Atento e deliciado pela música produzida pelos Madredeus, o cineasta Wim Wnders, um apaixonado por Portugal e por Lisboa, convidou-os a musicarem o seu Lisbon Story. Nessa altura (1995), o grupo atingia o seu auge criativo e o país rendia-se à sua bela sonoridade. O álbum “O Espírito da Paz” afirma o grupo definitivamente como uma referência incontornável da música portuguesa.

No entanto, nem tudo corria às mil maravilhas entre os membros do grupo. Depois de 1995 saem Rodrigo Leão, Gabriel Gomes e Francisco Ribeiro e entram Carlos Maria Trindade, José Peixoto e Fernando Júdice. Permanecem Teresa Salgueiro e Pedro Ayres Magalhães que passam a ser a cara do grupo. Em 1997 sai “O Paraíso” de que faz parte a melhor canção dos Madredeus: Haja O Que Houver, o hino que Teresa Salgueiro interpretou com José Carreras na abertura da Expo 98, em Lisboa, numa momento inolvidável que milhões de portugueses jamais esquecerão.
Do álbum fazem ainda parte outras belas canções, entre as coisas destaco uma de que gosto particularmente, “Coisas Pequenas”.
A chegada do novo milénio trouxe novas apostas do grupo: “Movimento”, “Um Amor Infinito” e “Faluas do Tejo”, num tributo lindo a Lisboa.
Depois o grupo resolveu fazer uma paragem e Teresa Salgueiro já não voltou. Outros músicos reuniram-se em volta de Pedro Ayres Magalhães, mas o espírito dos Madredeus tinha findado. Hoje resta a memória dum grupo fabuloso que marcou a música portuguesa na última década do século passado.
Há memórias tão saborosas que pensamos e desejamos resgatar quando a tristeza nos consome. Infelizmente elas já não estão disponíveis. 

Gabriel Vilas Boas

domingo, 22 de março de 2015

LUMIÈRE, CÂMARA, AÇÃO


Os irmãos Lumière foram uma das ideias mais luminosas que a humanidade produziu.
O sonho das suas vidas – o cinema – tornou-se numa das realidades mais fantásticas da era moderna. Foi há cento e vinte anos que exibiram o primeiro projeção de algo tão rudimentar que até custa chamar cinema. Mas a verdade é que o cinema começou nesse instante do dia 22 de março de 1895.
De então para cá o cinema ascendeu ao Olimpo das artes, atraindo a beleza, o poder, a arte de representar, os pensadores e os técnicos, num esforço extraordinário de nos entreter, comover, inquietar, divertir, chocar… fazer viver através da tela.
Talvez os irmãos Lumière nunca tenham chegado a ter a consciência da revolução social que começaram, mas é inequívoca a importância do cinema na transformação do modo como nos divertimos.

Rapidamente o cinema tornou-se no maior divertimento popular, um pouco por todo o mundo, atraindo pela sua espetacularidade, pela ação e pela inovação tecnológica.
O grande ecrã tinha (ainda tem) o magnetismo sobrenatural que reúne gerações e sensibilidades tão diferentes num mesmo espaço para ouvir e, sobretudo, ver contar histórias.
À sua volta cresceram economias, fizeram-se ídolos, mitos, fortunas, carreiras, estilos, símbolos…
Há tantas histórias de vida que começaram numa sala de cinema, tantos amores e desamores inspirados num filme inesquecível, num desempenho notável, num argumento memorável.
Depois de doze décadas de evolução, temos de aceitar que a criação dos irmãos Lumière revolucionou-nos a vida, tornando-a mais glamourosa.

É o cinema que nos dá o pretexto ideal para o encontro desejado. Outras vezes é ele a companhia das horas mortas, o amparo da solidão, a fonte que nos inspira ou dá coragem, o paraíso onde o corpo e a mente se deleitam depois de dias intensos de trabalho.
Como qualquer arte o cinema vive dos artistas. Jamais o cinema atingiria a importância social e cultural de que goza senão tivesse atores a atrizes talentosos nem realizadores geniais. No entanto é o público que os transforma em ídolos, outorgando ao cinema uma importância fora do comum.
O público consagra filmes, atores, realizadores e, querendo ou não, também os molda.
O mundo do cinema já percebeu que o seu público é caprichoso e gosta que lhe satisfaçam os desejos. Acho uma subversão perigosa. A grande força do cinema sempre esteve na arte de surpreender, inovar, criar. Ver apenas aquilo que queremos rapidamente se tornará fastidioso.

Amo o cinema que me inquieta ou me diverte, mas sobretudo quero que me espante. Não precisa de me dar aquilo que supostamente eu quero ver porque quero gostar dele como se gosta das coisas eternas.
Gabriel Vilas Boas

sábado, 21 de março de 2015

DIA MUNDIAL DA POESIA


A poesia é a sobremesa da vida!
Talvez seja a “inutilidade” que melhor faz à alma. Mais importante que haver um dia mundial da poesia é guardar um cantinho de cada dia para a poesia. Ganhar o hábito de ler um poema ou dois por dia é uma medida de profunda sabedoria e utilidade.
Há na poesia a profundidade das grandes ideias, a melodia da música, a delicadeza dos sentimentos explicados em palavras majestosas e precisas.
Quando decidimos mergulhar os olhos num poema devemos estar preparados para as emoções a que, inexoravelmente, nos transportará. Umas vezes, vaguearemos entre mares revoltos e perigosos, noutras abandonaremos o corpo e a mente ao doce prazer de viver.
A poesia é um bem delicado, caprichoso, misterioso e profundamente sedutor. Deve ser tratado como prima-dona que é! Cada estrofe, cada verso precisa de ser admirado com atenção, pois muitas vezes contém uma mensagem secreta que só almas atentas conseguem decifrar.
Como uma sobremesa gourmet, deve ser saboreada devagar, apreciando cada sensação: a textura das ideias, o cheiro das emoções, o sabor dos sentimentos, o som das sílabas, a beleza das metáforas, hipérboles e personificações.
Cada poema, cada poeta são seres únicos e irrepetíveis. Devemos deixá-los entrar nas nossas vidas e torná-los num segredo só nosso.
Deixo-vos dois poemas de dois poetas portugueses que admiro muito. Deixem que eles penetrem o vosso dia durante alguns minutos.


RETRATO DE UMA PRINCESA DESCONHECIDA



Para que ela tivesse um pescoço tão fino

Para que os seus pulsos tivessem um quebrar de caule
Para que os seus olhos fossem tão frontais e limpos
Para que a sua espinha fosse tão direita
E ela usasse a cabeça tão erguida
Com uma tão simples claridade sobre a testa


Foram necessárias sucessivas gerações de escravos
De corpo dobrado e grossas mãos pacientes
Servindo sucessivas gerações de príncipes
Ainda um pouco toscos e grosseiros
Solitária exilada sem destino
Ávidos cruéis e fraudulentos


Sophia de Mello Breyner


SÚPLICA

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti, como de mim.

Perde-se a vida, a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz, seria
Matar a sede com água salgada.


Miguel Torga

sexta-feira, 20 de março de 2015

PALÁCIO NACIONAL DE SINTRA


Localizado bem no centro da vila de Sintra, o Palácio Nacional de Sintra já foi palácio real e é hoje propriedade do Estado que o usa para fins culturais.
A sua construção data do século XVI, mas o arquiteto responsável pela obra não é conhecido. A sua estrutura apresenta traços da arquitetura medieval, gótica, manuelina, renascentista e românica.
É considerado um exemplo de arquitetura orgânica, pois apresenta um conjunto de corpos aparentemente separados mas que fazem parte dum todo articulado entre si, através de pátios, escadas, corredores e galerias.
De planta complexa, organiza-se em V e apresenta volumetria escalonada, constituída por paralelepípedos, sendo a cobertura efetuada por vários telhados diferenciados a quatro águas.

O elemento visual que mais se destaca em quem vê o palácio a uma certa distância é o par de altas chaminés cónicas. O alçado principal está organizado em três corpos, sendo o central mais elevado e recuado relativamente aos extremos. Existe ainda no piso térreo uma arcaria com quatro arcos quebrados encimados por cinco janelas e emolduramento em calcário. As outras frentes do edifício apresentam uma complexa articulação de corpos salientes e reentrantes, destacando-se, pelo seu volume cúbico, a Sala dos Brasões.
Os compartimentos internos refletem-se em núcleos organizados em torno dos pátios. Destacam-se os seguintes: a Sala dos Archeiros, a Sala Moura ou dos Árabes, a Sala das Pegas, a Sala dos Cisnes e a Sala dos Brasões – que ostenta a representação das armas de 72 famílias nobres portuguesas e dos oito filhos de D. Manuel I – a Sala das Sereias e a Sala das Audiência.


A capela, de planta retangular e nave única, teve os muros revestidos por pintura ornamental e teto em madeira. Na cozinha são notórios os arranques octogonais das chaminés monumentais. Alguns compartimentos da chamada ala manuelina ostentam ornamentos de vãos de lareira em calcário.
Apesar de só ter sido edificado no século XVI, há relato da existência de um outro palácio nas redondezas. Este terá sido doado pelo rei D. João I ao Conde de Seia, no século XIV, voltando para a posse real alguns anos mais tarde.
Em 1489, foi iniciada uma campanha de obras que visava aligeirar a massa da construção e enriquecer a decoração interior, aplicando-lhe azulejos andaluzes. Entre 1505 e 1520, ergueu-se a chamada ala manuelina e, em 1508, teve início a construção da chamada Sala dos Brasões.


Durante o reinado de D. João III, meados do século XVI, edificou-se o espaço entre a ala joanina e ala a manuelina. No século XVII, sob a orientação do Conde de Soure, procedeu-se a obras de orientação e ampliação e, entre 1683 e 1706 (reinado de D. Pedro II), renovaram-se as pinturas dos tetos de alguns compartimentos.
Em 1755, foram realizadas importantes obras de restauro, por causa dos danos causados pelo terramoto, e edificada a ala que vai do Jardim da Preta ao Palácio dos Tanquinhos. Nova e derradeira campanha de decoração foi levada a cabo em 1863.
Hoje o Palácio Nacional de Sintra recebe a visita de milhares de turistas, durante todo o ano, e é palco de variados eventos culturais, com especial destaca para a música erudita.


quinta-feira, 19 de março de 2015

EXPOSIÇÃO FMR (FRANCO MARIA RICCI)


No fim-de-semana passado estive em Lisboa, onde, entre outras coisas, visitei a exposição Franco Maria Ricci, patente no Museu Nacional de Arte Antiga.
Trata-se duma exposição de enorme qualidade, onde é possível apreciar mais duma centena de peças de escultura e pintura, do século XVI ao século XX, que nos conduzem numa encantadora viagem pela arte da representação humana.


O reputadíssimo colecionador de arte, bibliógrafo, designer e editor, Franco Maria Ricci trouxe a Lisboa cerca dum quarto da sua heterogénea e heterodoxa coleção de arte, para o público português admirar cuidadosamente. Foi o que fiz! Guiado por uma simpática guia do museu que soube suscitar a nossa curiosidade do mesmo modo que permitiu uma interação muito enriquecedora.
A exposição está dividida em dez núcleos temáticos, sendo os mais interessantes aqueles que são dedicados ao classicismo, neoclassicismo e maneirismo. No entanto, a grande atração desta exposição é uma extraordinária escultura do papa Clemente X feito pelo mais famoso escultor do Barroco romano: Bernini. A escultura em mármore transmite toda a serenidade e sabedoria do Papa Clemente X, com quem Bernini teve uma zanga pública, mas que terminou depois de Bernini ter esculpido a sua obra-prima. Aliás é a primeira vez que o público português tem a oportunidade de ver uma obra de Bernini em Portugal.
Mas nem só de Bernini vive a exposição dedicada à coleção de Franco Maria Ricci. No Museodemos encontrar a “Beatriz” de Canova, “Cristo abençoado” de Fillippo Mazzola, ou o “Retrato de Marie Madeleine de Vignerod – duquesa de Aiguillon”, de Jacopo Ligozzi e Phillippe de Champaigne.


Um núcleo que me chamou particularmente à atenção foi o dedicado às Vanitas. A ideia da morte, da vanidade da vida, da arte, da beleza, representadas por diversos artistas de diferentes modos, mas sempre com uma tríade de elementos comuns: a caveira, a ampulheta (tempo), o livro.  

Sem nos darmos conta passamos mais duma hora a admirar aqueles belos exemplares da coleção de Franco Maria Ricci. Terminámos na Biblioteca do Museu, excecionalmente aberta para esta exposição. E o motivo era de todo justificado. Lá encontrámos duas preciosidades da coleção de FMR: a famosíssima “Encyclopédie” francesa de Denis Diderot e Jean Rond d’Alembert (1751-72) e a Bíblia tipográfica de Giambattista Baboni. Ambas foram reimpressas por Franco Maria Ricci, o que atesta a sua condição de grande editor há mais de cinquenta anos. É na Biblioteca do MNAA que podemos igualmente admirar algumas capas da extraordinária revistsa de arte FMR, ciada e editada por Ricci para mostrar obras-primas muitas vezes curiosas ainda que muito pouco conhecidas.

Até 12 de abril a coleção de Franco Maria Ricci estará patente no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, depois só visitando Parma, onde Franco Maria Ricci plantou um extraordinário laribirinto de dois mil bambus e no seu interior mandou instalar um museu que albergará toda a sua coleção. Abre em maio e espera o regresso destas preciosidades que por agora esperam os vossos olhos, em Lisboa.  
Gabriel Vilas Boas