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segunda-feira, 23 de outubro de 2017

A AUTONOMIA SEM CULTURA DE ESCOLA INTERESSA POUCO


Muitas Escolas (provavelmente será mais verdadeiro dizer “muitos diretores”…) clamam pela autonomia escolar. Adoravam poder ser elas a escolher o curriculum, os professores, o peso de cada disciplina no horário dos alunos. Adoravam ser elas (ou eles…) a poder gerir o dinheiro, a ter o poder. À parte disto não têm nenhuma ideia sobre autonomia da sua Escola.

Se lhes perguntássemos o que diferenciava a sua Escola das demais que justificasse essa bendita autonomia, o mais certo era gaguejarem ou então lá nos atirariam com uma caracterização sócio-económica da região, a comparação da média dos resultados obtidos pelos alunos do agrupamento face à média nacional, as suas ideias para convergir resultados, bláblá bláblá… Querem a autonomia porque sim, ou melhor, porque ficam eles a mandar e com mais poder. Bastava que lhes disséssemos que lhes dávamos a autonomia na condição de deixarem o poder que todo o empenho se ia num fósforo.

Voltemos ao principal: a autonomia é boa ou má? Em teoria  e executada por quem sabe é algo de magnífico e que pode ter implicações profundas na vida dos alunos e da comunidade onde eles estão inseridos, no entanto muito poucas escolas estão em condições para a receber e implementar.

A autonomia faz sentido para aquelas escolas/agrupamentos que têm cultura de escola, ou seja, que têm um Projeto Educativo diferenciador, sustentado e que já provou.
Diria que são aquelas escolas que os alunos procuram por causa da oferta formativa de qualidade, onde a Cultura Geral casa na perfeição com a Especialização; onde os professores são referências respeitadas nas áreas que ensinam, onde existem laboratórios e salas de aulas apetrechadas com material necessário à prática daquilo que se ensina. Obviamente isto não quer dizer pufes nem tabletes gigantes apenas com a função lúdica.



Querem um exemplo disto: a Escola Artística Soares dos Reis, no Porto. Toda a organização faz sentido e foi pensada em torno de um objetivo. É uma Escola de Artes que assume o seu Projeto Educativo de forma plena e conduz o seu investimento de maneira a concretizá-lo. É uma Escola com personalidade, com cultura de escola, com uma autonomia lógica. Os alunos sabem para onde vão, conhecem o projeto da escola e procuram-na em função disso.

O nome da Diretora é irrelevante, mas o projeto não. Quando isto for assim com a maioria das escolas que se atropelam à porta do Ministério da Educação em busca de autonomia, então teremos a tal viragem que todos anseiam na Educação em Portugal. Por enquanto vamo-nos consolando com Escolas TEIP e quem lá ensinou sabe perfeitamente para o que elas servem.
GAVB

domingo, 22 de outubro de 2017

O JUIZ PERDEU O JUÍZO


«O adultério da mulher é um gravíssimo atentado à honra e dignidade do homem. Sociedades existem em que a mulher adúltera é alvo de lapidação até à morte. Na Bíblia podemos ler que a mulher adúltera deve ser punida até à morte.»

Já é suficientemente mau que um juiz desculpe (ao manter a pena suspensa) que um homem agrida violentamente a sua mulher, com um moca de pregos, e desvalorize ameaças de morte e o sequestro, mas a argumentação usada pelo juiz do Tribunal da Relação do Porto para indeferir o recurso do Ministério Público, no sentido de agravar a pseudo pena do Tribunal de Felgueiras, é ainda pior.
Para aquele infeliz juiz, a traição resolve-se com pancada até à morte. Se repararmos bem no «douto» argumentário do juiz da Relação do Porto, aquela mulher devia dar-se por satisfeita por apenas ter levado com uma moca de pregos, ser sequestrada e ameaçada de morte, porque o normal seria a pena de morte, de preferência apedrejada.

Citar os nefastos costumes de outras culturas é de péssimo gosto, para ser eufemístico. 
O que subliminarmente nos diz este juiz? Bom seria que vivêssemos numa sociedade igual à da Arábia Saudita onde a dignidade da Mulher é constantemente posta em causa; algo parecido com aquilo que o Estado Islâmico defende.
Citar a Bíblia? Mas a Bíblia é algum código de leis? O nosso Estado de Direito não se caracteriza por não ter nenhuma religião oficial? Desde quando a lei portuguesa é regida pela Bíblia? Estamos no Irão e somos governados pelos Aiatolás?  


A decisão de manter a pena suspensa é polémica, discutível, mas tecnicamente possível, mas argumentação teria de ser outra, ou seja, ir num sentido totalmente contrário aquela que o juiz usou.
A sustentação da decisão do juiz não é apenas lamentável, como também é censurável e devia merecer dos órgãos superiores que superintendem os juízes uma censura pública, porque aquele acórdão envergonha a magistratura portuguesa e não é possível o poder da lei estar na mão de gente que pensa assim.
Se estas declarações fossem proferidas por um governante, sem qualquer poder de decisão sobre casos desta natureza, estaríamos por certo a fazer debates, a escrever profundos artigos de reflexão, a marchar numa qualquer praça portuguesa, exigindo a sua demissão imediata. E com razão o faríamos. Este juiz vai poder continuar a julgar casos de violência doméstica. Já todos perceberam qual deve ser a linha de defesa dos arguidos – foram traídos.

GAVB

sábado, 21 de outubro de 2017

O GOVERNO DE COSTA PERDEU O ENCANTO


Não é que alguma vez o governo minoritário do PS tenha encantado o país, mas a mão protetora do presidente Marcelo e a geringonça parlamentar de esquerda, tornaram o governo de António Costa um projeto de governação interessante.
O governo de Costa estabilizou a banca (ainda que a tenha entregado praticamente aos espanhóis); acabou com a imoralidade do ensino privado pago pelos impostos públicos; cumpriu as metas financeiras decretadas por Bruxelas; devolveu, aos solavancos, alguns dos direitos e proveitos retirados em tempos de troika.
E o povo, tal como Marcelo, foram generosos com o PS de Costa: quase maioria absoluta nas sondagens; vitória contundente nas eleições autárquicas; um PR amigo; uma oposição suicida à direita e contida à esquerda.

Mesmo assim o governo espetou-se por completo durante os últimos meses, por causa dos incêndios. E foi um desastre enorme, que custou a vida a mais de cem pessoas e milhões de euros aos cofres do Estado.
As tragédias que marcaram a negro a época dos incêndios, em Portugal, mostram claramente que o governo não sabe como se faz. Incompetência pura, em áreas essenciais, como a da Proteção Civil.

Não é azar, não é a oposição ou os media, mas apenas decisões erradas, tomadas reiteradamente, em assuntos da maior importância para o país.

Há duas semanas, Costa tinha o país na mão e podia falar grosso para o BE e o PCP, nas negociações do Orçamento de Estado de 2018; hoje, está nas mãos do BE e dos comunistas para não ser corrido de São Bento com um pontapé no rabo. Há quinze dias, a maioria absoluta estava ao virar da esquina; a partir de agora parece quase uma miragem. Há poucos dias, o país sorria com os descongelamentos enganosos das progressões na Função Pública; hoje mostra-se profundamente desencantado com a governação. 
Não é má sorte. A competência não é geringonciável. 

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

MADONNA QUER UM VISTO GOLD PLATINUM



Ainda mal aqui chegou e Madonna já está enturmada com a maneira de viver portuguesa. Ao que parece a diva americana quer viver num palacete português, avaliado em 15 milhões de euros, a custo zero ,durante um ano.
É o chamado xico-espertismo americano que os portugueses topam à légua. Então a menina pensava que todas estas mordomias e atenções acabariam connosco a pagarmos a conta? 
Madonna, todas estas atenções, fotografias e idas ao Ministério da ministra que foi de férias eram no pressuposto que serias TU a gastar uma pipa de massa, em Portugal, e não os portugueses a gastar uma pipa de massa contigo, percebeste?

Uma coisa é a gente dar-te um voucher para ires ver os jogos da Seleção ou do Benfica, outra coisa é pagarmos a conta do hotel. Por falar nisso, já pagaste a renda do mês passado?
Todos nós já estávamos a estranhar esse teu enorme amor a Portugal assim como a tão grande hesitação em comprar casa. 
Agora tudo ficou mais claro: queres uma experiência num palacete, mas a custo zero. Não era mal pensado, não senhor, mas os portugueses não costumam comer gelados com a testa. Os palácios são bonitos (nisso tens razão), mas até nós temos de pagar para os visitar; portanto, se queres lá morar, tens de abrir os cordões à bolsa, que é para isso que andamos a investir no turismo VIP.

Mas não desanimes perante esta contrariedade. Tu investes algum agora, que nos devolvemos tudo em futuro IRS. Já deves ter ouvido falar no programa do nosso governo para atrair turistas seniores, que é como quem diz, idosos, velhos, “com os pés para a cova”. 
Apesar de tudo (que é muito), já fizeste cinquenta e nove anos, ou seja, estás perto da idade da reforma. Se falares com o Trump, ele ainda te dá a reforma antecipada. Aí, o melhor é mesmo vires para Portugal, onde o imposto aplicado às Reformas dos Estrangeiros tende para zero. Com o dinheiro que poupas em imposto, quase que pagas a renda do palacete. Entretanto, tens de investir alguns dólares, porque apesar de tudo ainda nem chegaste aos sessenta e está muito bem conservada.

GAVB

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

É SÓ PARA AVISAR QUE PARA A SEMANA VAMOS AÍ FAZER UMAS BUSCAS


Tínhamos pensado em mandar um email, mas como vocês usam software pirata (afinal não poupam só na compra de bons jogadores), o mais certo era que o nosso aviso ainda parasse num qualquer programa do Porto Canal. Também tivemos a ideia de vos telefonar, mas concluímos que também não era seguro. Nós mesmos pusemos escutas em todo o lado onde andou a comandita do Sócrates e o mais normal é ainda haver um microfone da sala de reuniões da direção, dos tempos em que o Armando Vara fazia parte do Conselho de Administração do nosso clube. Por isso, decidimos inovar e pusemos um anúncio na capa da Sábado (ou aquilo não pertencesse ao mesmo grupo do Correio da Manhã) – “JUIZ TRAVOU BUSCAS A VIEIRA E NA LUZ”.

Foi há três semanas. Demos-vos mais do que tempo para limpar esses computadores infetados de emailite vírica. Passámos horas a matutar na melhor maneira de vos avisar que tínhamos de ir aí fazer umas buscas, levantar uns computadores e alguns papéis. Como vocês são um pouco atados resolvemos gastar um pouco de massa e compramos logo um anúncio na primeira página.
Depois da acusação feita ao Sócrates (a propósito, também o avisámos muitas vezes, através dos jornais, que o estávamos a investigar, sempre na esperança que ele viajasse da França para a Venezuela, mas ele preferiu a cela de Évora à companhia do Maduro e não o podemos censurar) não sabíamos o que fazer à equipa que se especializou a ler contas na Suiça, verificar emails, interpretar escutas e por isso decidimos investigar a vossa azelhice a mandar emails.

A propósito, o vosso bruxo está de baixa ou tirou férias? Deixaram de ser revelados emails de e para a Guiné e a nossa equipa só soma derrotas.
Como vocês não sabem reagir à chacota pública que o A. J. Marques vos expõe todas as semanas, decidimos acabar com este calvário e em breve estaremos aí. Se não souberem fazer uma limpeza dos ficheiros como deve ser, comprem material informático novo, introduzam algumas informações básicas e depois estejam quietos. Daqui por um mês contamos arquivar o caso por manifesta falta de indícios.
Saudações da PJ


P.S. Já deram nome ao vosso grupo organizado de sócios ou continua "No Name" como sempre?

GAVB

terça-feira, 17 de outubro de 2017

DE ONDE VEM A DELICADEZA JAPONESA?


Da educação que os japoneses dão aos filhos.
O comportamento das crianças do Japão é muito diferente daquele que observamos no Ocidente. As crianças japonesas não têm o costume de fazer birras, chantagear os pais ou perder facilmente o controlo. E não são nem autómatos nem crianças tristes, a quem os pais aplicam uma educação autoritária e rígida.
Se repararmos com atenção, elas destacam-se pelo grande respeito que manifestam para com os outros, pela capacidade de autocontrolo e pelos gestos suaves e afáveis, seja com os adultos seja com os colegas.
A moderação e respeito pelo próximo encontram as suas raízes no enorme valor dado à família.

Os japoneses acham fundamento o relacionamento intergeracional. Para a criança japonesa, o velho (e não é preciso que seja o avô ou a avó) merece-lhe a maior consideração. Por sua vez, os idosos olham a criança (e não tem necessariamente que ser o seu neto) como uma pessoa em formação e por isso tratam-na com tolerância, adotando sempre uma atitude pedagógica e não julgadora.
Há um clima harmonioso entre gerações, mas este não se baseia numa troca de favores ao bom estilo ocidental “uma mão lava a outra”, mas numa assunção partilhada de responsabilidades. Por exemplo, os avós estão dispostos a participar na educação dos netos, mas acham inconcebível que os pais não tenham tempo para os filhos e se tornem pais ausentes.

Desde de tenra idade a criança japonesa é educada para a sensibilidade. O afeto entre os membros da família é cultivado. Para que isso seja possível é preciso haver tempo de qualidade.
Tempo é um bem inegociável para as famílias japonesas. Criar laços fortes e duradouros com os filhos é fundamental para todos os pais que sabem quão fundamental é estar com os filhos, especialmente nos primeiros anos de vida.
Habituados ao afeto mútuo em família, as crianças nascidas no Japão sabem que grande parte dos seus problemas se podem resolver com uma boa conversa em família, pois todos sentem que a sua opinião é respeitada e tida em conta.

GAVB

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

UMA CONTAGEM SINISTRA QUE NUNCA MAIS ACABA


Três, seis, dez mortos. Depois vinte, vinte e sete, vinte e nove pessoas que perderam a vida. Trinta e um, mais um e outro ainda. Desligo o computador, mas é impossível aquietar a alma, porque ainda não acabou. Percorro o olhar triste dos muitos com que me cruzo e sinto a derrota silenciosa da gente dorida. Ligo a televisão agora – “trinta e seis mortos confirmados, mas ainda há os desaparecidos e os feridos graves”.
E cada vez que o contador sinistro se mexe é mais um soco brutal no corpo exaurido, ensanguentado, destroçado que é Portugal.

Já não suporto mais ouvir desculpas indignas, nem aproveitamentos políticos, nem explicações transcendentais. É capaz de ser um pouco de tudo, mas isso agora importa-me pouco. Depois de Pedrógão, essa impossibilidade que foi possível, as mortes desta madrugada não podiam ter acontecido… mas aconteceram.
Não preciso de uma proteção civil que me mande desenrascar, de um governo que mande os bombeiros para casa com temperaturas constantemente acima dos 20 graus, só porque o calendário diz que estamos em Outubro. Então, se estiver a chover em Agosto, não abro o guarda-chuva? E se o calor invadir os dias de Dezembro não dou um belo passeio pela praia?  

Importam-me pouco as condolências, os funerais de estado, as belas exéquias, as preocupações de quem tinha apenas de garantir que não tínhamos de nos preocupar. 

Dizem-me agora que não voltará a acontecer. Realmente não: não há mais pinhal de Leiria para arder, não há mais como recuperar as vidas que se perderam, não há mais confiança num Estado que não sabe proteger a vida dos seus cidadãos.
GAVB