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terça-feira, 25 de julho de 2017

MORADAS FALSAS NAS MATRÍCULAS? OLHA A NOVIDADE!


Parece que a Inspeção-Geral da Educação e Ciência (IGAE) abriu um processo de inquérito para apurar se houve ou não irregularidades no processo de matrículas, numa Escola de Lisboa, por sinal ou talvez não, daquelas onde quase todos gostam de ter os filhos.
Pais que dão moradas falsas nas secretarias das escolas para assim conseguirem inscrever os filhos na escola que mais lhes convém é um expediente tão velho, tão usado, tão consentido, que a novidade é o ME mandar a IGAE abrir um processo de inquérito.
Prestar falsas declarações quando se matricula um filho é proibido. Mas pode-se fazer, porque nunca aconteceu nada! E desta vez também não vai acontecer. Nas Escolas como em muitos outros serviços públicos instalou-se uma cultura de mentira, do faz de conta que eu acredito na patranha que me estás a contar. As falsas moradas nas escolas públicas e privadas, assim como os falsos encarregados de educação nos colégios serviram quase sempre para contornar a lei e lesar o Estado.

Os pais deviam poder escolher a escola dos filhos, independentemente da morada? Num sistema ideal, sim; mas não havendo vaga para todos nas escolas mais requisitadas, parece-me justo que sejam critérios de mérito ou de morada real das famílias a ditar a seriação. E, em tese, até me inclino mais para o critério do mérito do aluno. Uma escola tem bons professores, um bom projeto educativo e muitos pais querem lá os seus filhos? Ótimo, mas convém que sejam os alunos a merecer lá entrar e não o estatuto social dos paizinhos, o seu poder de influência ou o seu poderio económico a ditar as regras. Pior ainda se os alunos acedem a uma escola tendo por base falsas declarações deliberadas.

A Escola portuguesa deve ser intransigente com a mentira. Rejeitá-la em absoluto e essa deve ser um dos primeiros valores que um aluno aprende. Pode começar logo no ato da matrícula.
P.S. Como é que anda aquele inquérito acerca da alegada mais do que certa fuga de informação sobre o conteúdo da prova de português de 12.º ano? Daqui por dois meses ainda vai aparecer alguém a gabar-se, no Whatsapp, que entrou na Universidade graças ao acesso a informação privilegiada. E pode não ser mentira.

GAVB 

segunda-feira, 24 de julho de 2017

OS DIRETORES QUEREM O ANO LETIVO EM SEMESTRES. E OS PROFESSORES?



Provavelmente, a maioria dos professores vai acabar por anuir à ideia de um ano letivo dividido em semestres. O semestre permite uma melhor organização do tempo e uma mais eficaz gestão das matérias a lecionar.
Esta putativa alteração na organização do ano letivo trará inevitáveis modificações no processo de avaliação. Teremos “tensão” até ao final, pois a nota do segundo semestre confirmará ou porá em causa a nota do primeiro, sem que o aluno se sinta absolutamente seguro ou derrotado quanto à sua nota final.  

Além deste possível ganho de produtividade, os diretores esperam amenizar outro grande problema que os aflige: a indisciplina. Nas escolas com algum historial de casos de indisciplina, são recorrentes os casos em que os alunos descarregam as suas frustrações escolares durante o 3.º período, pois sentem que é quase impossível recuperar um número elevado de negativas. É mais fácil suster os casos de indisciplinas quando todos pensam que “ainda têm hipóteses”.

Havendo tanta unanimidade em torno desta questão, o que me intriga é por que não perguntaram os diretores aos seus professores o que pensavam eles sobre o assunto, antes de fazerem as suas sugestões/exigências ao Ministério da Educação. Ocorre-me algumas respostas: não querem saber da opinião dos professores para nada, a escola são eles e os professores estão lá para cumprir ordens mecanicamente e nada mais; acham que os professores estão tão mansos que aceitarão tudo sem resmungar nada e por isso resolveram avançar sem esse pró-forma. 
Se repararem bem, isso já acontece em relação a muitos assuntos da gestão corrente de muitas escolas, como é o caso da politica de transição que a escola quer implementar.
É possível que a organização por semestres se concretize dentro de um ano. Até lá seria interessante que os professores percebessem que esta organização convida a uma nova variável: disciplinas semestrais. E nesta nova e hipotética organização, Geografia e História estão a pôr-se tão a jeito…

GAVB

domingo, 23 de julho de 2017

MÉDICOS A CAMINHO DO SALÁRIO MÍNIMO

Admite-se médico/a especialista em medicina Geral e Familiar. 
 Horário: 10h -16.30h, com folga rotativa. 
Condições iniciais: 800 euros.”

Este é o anúncio de emprego, colocado por uma clínica de Braga, que está a indignar alguns médicos, pois a maioria ainda não se tinha dado conta que o salário oferecido aos médicos mais novos já pouco ultrapassava os mil euros. O bastonário diz que é um valor inaceitável, mas a solução não pode ser apenas a indignação. Se os médicos forem por esse caminho serão trucidados rapidamente. Os enfermeiros lembrarão a sua situação, que ditou a emigração dos mais novos, sem que os médicos tivessem mexido uma palha para os segurar; os professores recordarão como a sua profissão desceu na escala social; o mesmo dirão os advogados… e por aí diante.

Os médicos chegaram tarde à conclusão de que caíram na armadilha do mercado: eles tornaram-se apenas mercadoria especializada que os grandes grupos económicos utilizarão a seu belo prazer, pagando à peça (ato médico), um valor cada vez mais baixo. Tentar a sua sorte individualmente será muito mais difícil.  Quem escolherá pagar 100 euros a um especialista, no seu consultório, quando pode escolher entre vários da mesma área, a um preço quatro vezes menor, num qualquer hospital privado, com acordo com o Estado e com quase todas as seguradoras?

Talvez o bastonário não se tenha apercebido ainda, mas os médicos, no mercado, significam “apenas” uma parte do valor do seu negócio. Com o tempo essa parte será cada vez menor. É provável que daqui a dez anos o valor global a pagar aos médicos seja apenas 60% do atual. Se não querem ver ninguém a ganhar perto do ordenado mínimo nessa altura, o melhor é decidirem entre si como distribuir esse bolo global.
Até agora nunca nenhuma profissão foi por aí. É preciso muita filantropia, muito sentido de justiça e de partilha. Não creio…

De qualquer modo, enquanto pensam, sempre podem reler um pequeno texto de Martin Niemöller (resistente anti-nazi), escritas em 1933:

Um dia vieram e levaram o meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram o outro meu vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei.
No terceiro dia, vieram e levaram o meu vizinho que era católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e levaram-me a mim.

Já não havia ninguém para reclamar.”

GAVB

sábado, 22 de julho de 2017

BIBLIOTERAPIA


Raquel vivia a mil. Tinha finalmente a vida que sonhara: viagens, festas, amigos a transbordar da agenda, dinheiro a sobrar ao final do mês. Não ganhara nenhum euromilhões, mas um alinhamento astrológico qualquer tinha-a colocado como diretora, para o mercado europeu, de uma farmacêutica americana. Havia apenas um senão: o  trabalho era imenso e um dia o corpo rebentou.
Como foguetes numa noite de festa todos os ingredientes que faziam a sua vida glamorosa desapareceram. A empresa pagou-lhe uma licença de dois anos, para se reabilitar, na Suíça. Lentamente o corpo foi recuperando a forma física e mental, mas não voltaram os amigos e com eles o prazer de viajar. Eles continuavam na mesma onda, com a adrenalina no máximo, testando os seus limites.
Deprimia-a e magoava-a o facto de não terem voltado, de tão pouco querem saber dela verdadeiramente. Sabia que aquela amargura não a deixava progredir e por isso não ousava responder aos emails do chefe que lhe perguntava quando regressaria. 

Descrente de qualquer terapia, enrolada num xaile, junto à lareira, olhou a estante carregada de livros velhos e o título de um espevitou-lhe a curiosidade – Amor Em Tempos de Cólera, de Gabriel García Márquez. Nunca gostara de ler. Li apenas aquilo que era imprescindível para fazer bem o seu trabalho e achava romances, biografias ou ensaios uma perda de tempo. 
Além da curiosidade do título pegou no livro com a certeza que adormeceria mais rapidamente.

Felizmente para Raquel, o romance de Gabriel García Márquez despertou-a para a madrugada e para a vida. Leu durante seis horas, entregando-se apaixonadamente à leitura como Florentino e Fermina se amaram ao longo de três décadas, apesar de a vida os ter afastado. Em cada página devorada, Raquel ia percebendo que aquele não era um amor qualquer. Apesar de percorrerem percursos separados, a constância dos sentimentos, a capacidade de não perder a bússola do amor durante tantos anos, comoveu a leitora. O amor de Florentino Ariza e Fermina Daza tinha sobrevivido ao tempo, à desagregação física, à desesperança, ao desânimo.
Nos meses seguintes, Raquel fechou-se no seu chalé suíço, desligou a net e os telefones e mergulhou na leitura. Livro atrás de livro, como se fosse uma criança num bombonaria sem ter os pais por perto.  

Quando a primavera chegou, telefonou ao chefe e disse que regressaria a Bruxelas no dia seguinte. Apanhado de surpresa, ele nem sabia o que lhe propor. Já tinham desistido dela e ele nem sabia como lho dizer. Não foi preciso. Ela própria tratou de lhe apresentar uma proposta de retorno ao trabalho que sabia que ele recusaria. Apertaram as mãos e despediram-se. Levava um sorriso tão confiante que intrigava qualquer um.
Enfiou um casaco colorido, deu a mão esquerda ao seu novo amigo e partiu em viagem. Ia acompanhada de amigos de diferentes lugares, que a salvaram com metáforas, ideias e rimas. Sem nunca terem aberto a boca, nunca a deixaram sozinha um único dia.
GAVB

sexta-feira, 21 de julho de 2017

BABYSITTING PARA MARIDOS


Quando uma mulher vai a um shopping, acompanhada pelo marido ou namorado, debate-se com dois desafios cuja resolução não é certa: encontrar a mala, o vestido ou os sapatos e entreter o companheiro durante três ou quatro horas.

Ao final de meia hora, ele já não tem nada que fazer e começa aborrecer-se a uma velocidade galopante enquanto ela ainda só viu uma loja e está muito longe de tomar uma decisão.
 Pensando nos problemas de ambos e no «clima» entre casal depois de uma ida ao shopping, os chineses começam a dar os primeiros passos no babysitting para maridos/namorados. 
Em Xangai, o Centro Comercial Harbor criou uma espécie de cabine onde as mulheres enfiam os seus maridos e os deixam entretidos em frente a um computador e uma consola com jogos dos anos 90. A experiência tem recolhido reações mistas entre a classe masculina e opiniões muito favoráveis entre as mulheres.

O babysitting para maridos (claro que é preciso arranjar outro nome) é um conceito com muitos maridos para andar, pois ainda há muito homem que comete a loucura de acompanhar a esposa ou a namorada ao shopping. É aborrecimento pela certa, mas há aqueles que nunca aprendem ou não conseguem antecipar uma atividade alternativa e prazerosa que lhes ocupe quatro horas de uma tarde ou serão.
Para quem é apanhado desprevenido o babysitting para maridos é uma solução a considerar, no entanto é necessário fazer up grade a este insípido modelo chinês. 

Além do conforto de bons sofás, era necessário que os chineses (e não só…) estivessem abertos às sugestões dos seus futuros clientes, mantivessem sempre um bar aberto de insuspeita qualidade, disponibilizassem canais de televisão temáticos e personalizados e mantivessem uma estrita política de discrição e reserva sobre as atividades realizadas. Se a mulher quer deixar o seu marido no babysitting que o deixe, mas depois não o massacre com perguntas pormenorizadas sobre o que ficou ele lá a fazer.
O Babysitting Para Maridos ainda gatinha e talvez nem seja lá muito necessário para a maior parte dos homens, mas se alguém decidir implementar a ideia em Portugal, convém ouvir os potenciais clientes e só depois avançar. É que computadores e consolas de jogos é manifestamente pouco e pobrezinho…

GAVB

quinta-feira, 20 de julho de 2017

AMARANTE ESTÁ UM MIMO!


A cidade de Amarante vive horas de expectativa e orgulho, por causa do seu Mimo, um festival de música, cinema, poesia, fórum de ideias, nascido no Brasil e que há um ano a edilidade amarantina conseguiu trazer para Portugal.
Se em 2016, o Mimo encheu a cidade de Amadeo com mais de vinte e quatro mil pessoas, as expectativas para este ano são superar a barreira das cinquenta mil pessoas, durante os três dias em que decorre o festival.

        
A publicidade ao evento foi feita de uma maneira muito profissional, através dos diversos meios de comunicação social. Não houve dia nenhum, no último mês, em que jornais, televisões e rádios não apresentassem publicidade e/ou notícias referentes ao Mimo. Senti uma grande satisfação, quando há dois dias, na zona das Docas em Lisboa, vislumbrei vários cartazes referentes ao Mimo e percebi que muitos lisboetas e até turistas estrangeiras estavam ao corrente do evento e sabiam perfeitamente onde ele decorria e como chegar até Amarante. Espaços emblemáticos da cultural da capital portuguesa, como o Teatro Nacional Dona Maria II, disponibilizavam o programa do Mimo e eram capazes de prestar informação oportuna sobre o que sucede em Amarante nos próximos três dias.


Estou certo que o Mimo será «o» evento deste verão, em Amarante, e marcará a memória de todos os que a ele assistirem. A programação é variada, educativa e apelativa. Além dos workshops de música e cinema, a atenção principal estará centrada nos concertos que decorreram no parque ribeirinho da cidade, com o belo enquadramento do Tâmega como cenário. 

A minha maior expectativa está centrada no concerto de Herbie Hancock, o mago do jazz, que acontecerá de sábado para domingo. No entanto, outros nomes fortes também atuarão por estes dias em Amarante: desde logo o brasileiro Rodrigo Amarante, os portugueses Céu e Manuel Cruz, que terão a honra de encerrar no festival. Nos dias anteriores, tenho curiosidade em ver e ouvir os Três Tristes Tigres, Hamilton da Holanda & o Baile do Almeidinha que convidaram Mayra Andrade para uma performance coletiva.
Não tens como não te mimares em Amarante.

GAVB

quarta-feira, 19 de julho de 2017

NEWSMUSEUM


Inaugurado há pouco mais de um ano, no dia em que Portugal comemora o regresso à Democracia, o Newsmuseum é já um dos mais atrativos e glamorosos museus portugueses.
Fica em Sintra, bem no coração da vila, e contrasta com o típico museu português, porque todo ele transpira a modernidade e tecnologia.
Não é um museu de História nem da imprensa, mas apenas das notícias, aquelas que fizeram a História do povo que somos nos últimos cem anos.
O Newsmuseum é um museu cheio de cor, imagem, ação. Altamente moderno e interativo, explica através da imagem, dos títulos, do som, da possibilidade de experimentarmos.

Qualquer estrangeiro que entre neste museu das notícias percebe perfeitamente a história contemporânea de Portugal, porque a rádio, a imprensa e sobretudo a televisão revelaram o que fomos fazendo. O enfoque principal está nos acontecimentos mais recentes, com especial destaque para aquilo e para aqueles que nos fizeram sentir orgulho em ser portugueses.
O que mais atrai o visitante do Newsmuseum é a possibilidade de experimentar. Além de ver, de tocar, de jogar, “fazer”, ou seja, vestir a pele do repórter e anunciar alguns dos principais acontecimentos do século XX. Essa surpresa é o primeiro cartão-de-visita do museu e predispõem-nos a uma descoberta entusiasmante nos restantes pisos em que se dispõe o Newsmuseum.

Ainda que a televisão ocupe o espaço e os desejos do visitante, há igualmente possibilidade de fazer rádio, dar uma conferência de imprensa ou testar conhecimentos jornalísticos, simulando a participação num dos mais famosos jogos sobre conhecimento que a televisão imortalizou.
Sintra torna-se ainda mais atrativa para os turistas nacionais e estrangeiros com o Newsmuseum, que inaugura uma nova maneira de apresentar o passado sem que este nos pareça fora do nosso tempo.

GAVB